terça-feira, 27 de outubro de 2026 · Edição diária

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Gartner: 44% dos CEOs não provam o retorno da IA, mas 75% vão investir mais em tecnologia

Pesquisa do Gartner com 203 CEOs mostra que 44% têm dificuldade de demonstrar o retorno financeiro da IA, e ainda assim 75% planejam elevar o investimento em tecnologia.

Executivos reunidos em sala de reunião de uma empresa
Segundo o Gartner, CEOs mantêm o investimento em IA mesmo sem conseguir mostrar o retorno financeiro aos stakeholders. Foto: Pexels / Vlada Karpovich

O Gartner apurou que 44% dos CEOs têm dificuldade para demonstrar a acionistas e conselhos o retorno financeiro da inteligência artificial, apesar de terem mantido os investimentos na área. Os dados vêm da 2027 Gartner CEO Survey e foram noticiados nesta terça-feira (27) pelo Convergência Digital. A consulta foi feita em abril e maio de 2026, com 203 CEOs e executivos seniores de negócios em vários países.

Para David Furlonger, vice-presidente analista emérito do Gartner, o problema de gerar valor com IA não se resolve com a simples adição de mais IA às formas de trabalho que já existem. Ele defende que a tecnologia entre no desenho dos fluxos de trabalho, das decisões e da maneira como a empresa concorre.

O que os CEOs pretendem fazer com o dinheiro

O resultado difícil de comprovar não levou os executivos a recuar. Segundo a pesquisa, 75% planejam aumentar os investimentos em tecnologia, e 62% colocam o crescimento da receita e dos negócios entre as principais prioridades estratégicas.

Para transformar a IA em retorno tangível até 2027, 63% dos entrevistados citam a reformulação radical do modelo operacional. Outros 52% mencionam a implantação agressiva de agentes de IA como funcionários, e 47% apontam a liberação ou a realocação de capital por meio de uma reestruturação dos negócios. O levantamento não indica quanto dessas intenções já virou orçamento aprovado.

As três orientações do Gartner aos CIOs

A primeira recomendação é reformular os fluxos de trabalho em torno da inteligência. O Gartner pede que os CIOs priorizem investimentos que alterem a forma como o trabalho, as decisões e a entrega de valor funcionam, em vez de apenas acelerar tarefas que já existem.

A segunda é construir liberdade estratégica, com arquiteturas modulares e menos dependências rígidas. A ideia é que a empresa consiga mudar de direção, trocar de fornecedor e ampliar capacidades sem refazer toda a base tecnológica.

A terceira é medir resultados, e não atividade de IA. O Gartner cita como métricas a unit economics, a velocidade de decisão, o tempo de chegada ao mercado, os resultados para clientes e o impacto nos negócios. A consultoria sugere governar IA, trabalho digital e reformulação da força de trabalho como uma única transformação.

Quem precisa justificar o orçamento de 2027

Com três quartos dos CEOs dispostos a gastar mais, a pressão recai sobre a área de tecnologia. De acordo com o Gartner, os CIOs devem mudar a conversa com a diretoria: sair da implantação da IA e passar a tratar de como a empresa cria valor. Quem levar ao conselho só o número de ferramentas ativas ou de tarefas aceleradas terá menos argumentos diante dos 44% que já dizem não conseguir provar o retorno.

A reportagem não detalha números específicos para o Brasil. Para empresas brasileiras que ampliam o orçamento de IA, a leitura prática do estudo é definir antes da compra qual métrica financeira vai indicar se o projeto funcionou.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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