O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) entrou na campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto sem abrir mão de um projeto eleitoral próprio. A combinação provocou atritos com integrantes da família Bolsonaro e com aliados do presidenciável, segundo o jornal O Globo.
Depois de meses de distanciamento e cobranças públicas do deputado cassado Eduardo Bolsonaro, Nikolas voltou a dividir agendas e gravar ao lado de Flávio. Ao mesmo tempo, manteve apoio a candidaturas pelo país que, em vários casos, diferem das escolhas do clã.
O 'exército' de candidatos
Nikolas montou uma rede que chama de "exército" e que atravessa partidos. A meta é eleger ao menos dez deputados federais e nove estaduais em Minas Gerais. Os escolhidos gravaram com ele em Brasília e Belo Horizonte, receberam materiais padronizados e se apresentam nas redes como "candidatos do Nikolas".
A iniciativa incomodou a campanha de Flávio, que preferia ver a capacidade de mobilização do mineiro vinculada de forma mais direta ao presidenciável. Nikolas tenta converter alcance digital em padrinhos políticos próprios para 2027.
Choque com Valdemar e Cunha
Em Minas, Nikolas confrontou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, para impedir a filiação de Eduardo Cunha e a entrada dele na chapa proporcional. Flávio fez o caminho oposto e gravou pedido de votos para Cunha, que se filiou ao Republicanos.
Na disputa ao Senado em Minas, Nikolas apoia Domingos Sávio (PL) e colocou Marco Antônio Superman (Novo) como segunda opção. O entorno de Flávio tem se aproximado do senador Carlos Viana (PSD).
Fora de Minas
Em Santa Catarina, a autonomia de Nikolas esbarrou na prioridade da família Bolsonaro de eleger Carlos Bolsonaro ao Senado. O deputado manteve parceria com Ana Campagnolo (PL), alvo de pressão pública de Flávio depois que ela se recusou a gravar pedido de votos para Carlos.
A rede inclui nomes do Novo, PP e Republicanos. Em São Paulo, Pedro Pôncio (Novo); no Paraná, Guilherme Kilter (Novo); no Rio Grande do Sul, Hiago Stock (Novo); em Goiás, Sanches da Federal (PP), enquanto Flávio faz campanha para Major Vitor Hugo (PL); em Roraima, Athally Albuquerque (Republicanos).



