O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a Proposta de Emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1 será votada no Senado até o fim de outubro. A matéria, aprovada na Comissão de Constituição e Justiça nesta semana, ficou de fora do plenário depois que o governo concluiu não ter segurança sobre os 49 votos necessários.
"Eu posso garantir que até o final de outubro, de qualquer forma, essa matéria vai ser votada", disse Randolfe. O governo tenta uma convocação extraordinária ainda em setembro. Se não reunir quórum presencial suficiente, a alternativa é o esforço concentrado previsto para a segunda semana de outubro, entre o primeiro e o segundo turno das eleições.
Risco de derrota e plenário esvaziado
Na conversa com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Randolfe admitiu que o mapa da base apontava no máximo 54 votos favoráveis. O painel chegou a marcar 75 senadores presentes, mas o plenário se esvaziou ao longo da tarde. Como a PEC exige voto presencial em dois turnos, a liderança do governo preferiu não arriscar uma rejeição.
"A responsabilidade de colocar 49 votos era nossa. No mapa que fizemos, havia risco. Não é adequado correr riscos sobre esse tema", afirmou. Segundo ele, Alcolumbre perguntou se havia certeza do número. A resposta foi negativa.
Acusação à oposição
Randolfe atribuiu o esvaziamento a uma ação coordenada da oposição, com destaque para o líder Rogério Marinho (PL-RN) e a participação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa presidencial. "Hoje houve uma ação coordenada da oposição", disse.
A PEC do fim da 6x1 virou uma das principais bandeiras da campanha de Lula. O adiamento também afeta o calendário da PEC da Segurança Pública, cujo texto-base passou na CCJ, mas ficou pendente de destaques antes de ir a plenário.
O que está em jogo
Por alterar a Constituição, a proposta precisa de pelo menos 49 votos em cada turno no Senado. Depois da eleição de 4 de outubro, o cálculo político muda: senadores reeleitos, derrotados ou eleitos para outros cargos podem reagendar prioridades. Randolfe estabelece o fim de outubro como teto para a votação.



