Bancos e investidores de Wall Street querem que a Nvidia ofereça garantias maiores para financiar compras de seus próprios chips, segundo reportagem da Reuters reproduzida pela CNN Brasil nesta sexta-feira (2). O plano, de US$ 500 bilhões, foi anunciado em agosto e depende de empréstimos lastreados em GPUs, as placas que treinam e rodam modelos de inteligência artificial.
A ideia da Nvidia é criar um mercado parecido com o de leasing de aeronaves. Desenvolvedores de IA tomariam crédito dando os chips como garantia, com apoio de gestoras como Blackstone, Apollo e KKR. A empresa afirmou que alguns contratos podem ter garantia de valor residual de no máximo 25%, ou seja, ela cobriria parte da perda caso o equipamento valesse menos do que o previsto.
Três fontes bancárias pedem mais do que 25%
De acordo com a Reuters, três fontes do setor bancário indicam que a Nvidia pode ter de oferecer garantia em todos os negócios. A alternativa seria exigir que os empréstimos tenham como lastro a receita de clientes com grau de investimento. Os credores duvidam que um chip, sozinho, sirva como garantia de longo prazo.
O ponto de atrito é quanto tempo uma GPU continua valendo dinheiro. Jensen Huang, presidente-executivo da Nvidia, defende que as placas têm vida útil de até uma década e quer fazer da capacidade de computação um ativo de infraestrutura viável para investimento. Tony Trzcinka, da Impax Asset Management, disse que os bancos costumam financiar GPUs com cronograma de depreciação de três a quatro anos.
Andrew Chang, da S&P Global Ratings, reconheceu que as GPUs funcionam bem por mais de cinco anos, mas afirmou que a agência tem visão conservadora sobre o valor desses chips, porque ainda faltam dados históricos. A Reuters também menciona um estudo da Barkr que estima de nove a dez anos para o GB300 NVL72, o que reforça o argumento da Nvidia sem convencer os credores.
O que os credores já aceitaram
Dois negócios recentes mostram onde está o limite. A CoreWeave fechou no início de 2026 uma operação de US$ 8,5 bilhões, a primeira com grau de investimento lastreada em GPUs, e recebeu nota A3. Os credores se apoiaram nos pagamentos contratuais da Meta, cliente considerado de alta confiabilidade, e não apenas nos chips.
No financiamento de US$ 35 bilhões ligado à Broadcom e à Anthropic, a Broadcom atuou como garantidora de mais de 80% da estrutura, o que atraiu investidores de dívida. Para um projeto de data center da SB Energy em Ohio, a própria Nvidia deu uma garantia de valor residual, segundo a S&P e a Moody's, citadas pela reportagem.
Quem paga a conta do risco
Brian Gelfand, da TCW, que administra mais de US$ 200 bilhões, disse que as transações até agora sugerem que os credores não acreditam em vida média longa para esses ativos. Loren Moran, da Wellington Management, com US$ 1,3 trilhão sob gestão, afirmou que os investidores serão mais seletivos quanto à compensação exigida para assumir risco adicional.
Na prática, a Nvidia tende a escolher entre duas saídas: carregar mais risco no próprio balanço, garantindo a revenda dos chips, ou aceitar financiamentos mais caros, com juros maiores e reservas de caixa mais altas, como prevê Trzcinka. A Reuters registra que dezenas de bilhões de dólares em empréstimos estão em negociação, e várias declarações vieram de fontes que pediram anonimato.



