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Google gasta US$ 51,4 bi em IA no trimestre, queima US$ 9,1 bi de caixa e perde US$ 280 bi na bolsa

A Alphabet investiu US$ 51,4 bilhões no 3º trimestre, mais que o dobro de um ano antes, e fechou o período com fluxo de caixa livre negativo em US$ 9,1 bilhões, mesmo com a nuvem acima de US$ 30 bilhões.

Data center de grande porte usado para treinar e rodar modelos de inteligência artificial
A Alphabet prevê cerca de US$ 200 bilhões em investimentos em 2026, quase todos ligados à infraestrutura de IA. Foto: Pexels / Zifeng Xiong

A Alphabet, dona do Google, divulgou na quarta-feira (28) os resultados do terceiro trimestre, e o gasto com infraestrutura de inteligência artificial pesou mais que o crescimento da nuvem. Segundo a Fortune, as ações caíram mais de 11% na negociação após o fechamento, o que apagou mais de US$ 280 bilhões do valor de mercado da empresa. A Folha de S.Paulo, que noticiou o episódio quando a queda era de 9%, deu ênfase à queima recorde de caixa.

O investimento em capital (capex) somou US$ 51,4 bilhões no trimestre, contra US$ 24 bilhões um ano antes. O fluxo de caixa livre ficou negativo em US$ 9,1 bilhões, pior que os US$ 5,9 bilhões negativos do segundo trimestre. Para 2026, a empresa projeta cerca de US$ 200 bilhões em capex.

Nuvem acelera, o resto decepciona

A receita da Google Cloud chegou a US$ 30,7 bilhões, mais que o dobro do ano anterior, e a margem da unidade subiu a 36,2%. O número acalmou parte dos temores de que a nuvem tivesse atingido o pico. O analista Dan Ives, citado pela Fortune, a descreveu como o resultado que o mercado esperava.

O problema, segundo o analista David Wagner, da Aptus Capital, foi o restante do balanço. A receita total foi de US$ 127,6 bilhões, alta de 25% e pouco abaixo da estimativa de US$ 127,9 bilhões. A busca, principal negócio da empresa, faturou US$ 63,4 bilhões e cresceu 12%, ritmo menor que os 17% do segundo trimestre e os 19% do primeiro. Analistas esperavam 15%.

O lucro por ação foi de US$ 2,12, contra US$ 2,87 no mesmo período do ano passado. A Fortune atribui a queda a uma perda contábil de US$ 8,7 bilhões em participações acionárias, que tirou 55 centavos do resultado. O lucro operacional subiu 30% na comparação anual, para US$ 40,6 bilhões, mas ficou levemente abaixo do trimestre anterior.

Quem financia a corrida por chips

O dado que mais pesou na reação foi o caixa: a Alphabet gastou com data centers e chips bem mais do que gerou. O analista independente Luke Lango afirmou, segundo a Fortune, que a empresa passou a financiar a expansão da IA com o dinheiro dos acionistas, e não com o próprio caixa.

Parte da saída de dinheiro vem de estoque. Segundo relatos da teleconferência, sistemas de TPU ainda não vendidos entram no balanço e consomem capital de giro. A diretora financeira, Anat Ashkenazi, disse que mais detalhes sobre o capex virão no quarto trimestre. A Fortune menciona uma previsão de US$ 300 bilhões em investimento para 2027, e a administração indicou que o gasto continuará subindo.

O CEO Sundar Pichai afirmou que a empresa teve um trimestre forte e já opera num ritmo de receita de meio trilhão de dólares por ano. O mercado, porém, mediu o resultado pelo que sobrou no caixa.

O que o balanço sinaliza para quem contrata a nuvem do Google

Para empresas brasileiras que contratam nuvem e modelos de IA do Google, o balanço mostra um fornecedor que segue ampliando capacidade em ritmo acelerado, com a unidade de nuvem rentável e em expansão. Para os investidores, o risco está na pressão de caixa, que tende a continuar enquanto o capex crescer mais rápido que a receita. A próxima leitura virá com os números do quarto trimestre e o detalhamento dos gastos de 2027.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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