sábado, 24 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

OCDE: IA ajudou 39% das PMEs com falta de habilidades, mas 83% não mudaram o quadro de pessoal

Levantamento da OCDE com mais de 5 mil empresas de sete países mostra que 39,1% das PMEs com lacuna de competências usaram IA generativa para compensá-la, e 19,7% passaram a precisar de gente mais qualificada.

Equipe de uma pequena empresa trabalhando com computadores
Segundo a OCDE, 83% das PMEs que usam IA generativa disseram que ela não mudou a necessidade total de funcionários. Foto: Pexels / Ketut Subiyanto

Entre as pequenas e médias empresas que enfrentam falta de habilidades na equipe e adotaram IA generativa, 39,1% disseram que a tecnologia ajudou a compensar essa deficiência. O dado vem de um levantamento da OCDE publicado em novembro de 2025, com mais de 5 mil empresas de sete países, e foi detalhado pela Exame neste sábado (24).

A pesquisa coletou as respostas em 2024. Os resultados valem para as sete nações pesquisadas e não são uma estimativa específica para o Brasil, informa a Exame, que também não identifica quais países entraram na amostra.

O que a IA resolveu e o que ficou de fora

Além do grupo de 39,1%, 32,7% das empresas relataram redução na carga de trabalho e 14,3% disseram depender menos de prestadores de serviço terceirizados. A leitura da OCDE é que a IA generativa pode ajudar a executar atividades para as quais a equipe não reúne todas as competências necessárias.

O mesmo levantamento põe um limite nessa conclusão. Segundo a Exame, a tecnologia não substitui a experiência profissional nem elimina a necessidade de capacitação, e as pessoas continuam responsáveis por verificar se uma análise inicial produzida pela IA faz sentido.

Emprego: poucos cortes, mais exigência

Sobre vagas, 83% das PMEs que usam IA generativa afirmaram que ela não alterou a necessidade total de funcionários. Outros 9,1% relataram redução dessa necessidade e 5,5% relataram aumento. Ganhos de produtividade, portanto, não se traduziram automaticamente em demissões.

A mudança apareceu no perfil exigido. Para 19,7% das empresas, a IA aumentou a necessidade de trabalhadores com competências mais avançadas, cerca de o dobro da fatia que relatou redução. As habilidades que mais ganharam importância foram análise e interpretação de dados (46,4%) e criatividade e inovação (41,9%).

Quem ainda não adotou e por quê

Entre as PMEs que não usam IA generativa, 49,8% apontaram a falta de habilidades dos próprios funcionários como barreira. O obstáculo, portanto, é o mesmo que a tecnologia poderia ajudar a contornar, o que cria um impasse para quem tem equipe enxuta e pouco tempo para treinar. Preocupações jurídicas, regulatórias e de direitos autorais também aparecem como entraves, sem percentuais informados.

Para empresas menores que queiram começar, a Exame descreve um caminho de baixo risco: atividades delimitadas, como resumir documentos, preparar rascunhos, organizar informações e apoiar pesquisas. O texto recomenda medir o tempo de conclusão das tarefas e a qualidade das entregas, além de definir regras para o uso de dados da empresa. Na prática, o dono de uma PME que contrata menos por causa da IA tem pouca base nesse levantamento: o que os números sustentam é que o investimento em treinamento continua necessário.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.