O Produto Interno Bruto do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026 ante o primeiro, informou o IBGE nesta terça-feira (1º). O ritmo ficou abaixo dos 1,1% de janeiro a março e abaixo da expectativa de 0,8% da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.
Em valores correntes, a economia somou R$ 3,4 trilhões no período. Na comparação com o segundo trimestre de 2025, o avanço foi de 2%. No acumulado do primeiro semestre, o PIB cresceu 1,9% ante o mesmo intervalo do ano anterior.
Agro puxa, famílias recuam
A agropecuária avançou 2,8% no trimestre e puxou o resultado. Serviços subiram 0,2% e a indústria, 0,1%, sustentada pelas extrativas (+3,4%) com petróleo e gás. Pelo lado da demanda, investimentos cresceram 1,2% e o consumo do governo, 0,4%. O consumo das famílias caiu 0,4%. Exportações recuaram 0,8% e importações subiram 1,8%.
O coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, destacou o agro como principal motor do trimestre e evitou atribuir a queda do consumo só aos juros, dizendo que os dados não isolam esse efeito.
SPE com viés de baixa
A SPE manteve, por ora, a projeção de crescimento de 2,3% para 2026, mas afirmou que a estimativa está em revisão para o próximo Boletim Macrofiscal, com viés de baixa. A secretaria ligou o quadro à política monetária ainda restritiva e ao endividamento elevado das famílias. O ciclo de cortes levou a Selic de 15% para 14% ao ano, patamar que a SPE ainda classifica como restritivo.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, comanda a pasta que publicou a nota. O resultado de 0,5% reforça o diagnóstico de desaceleração no meio do ano, com o agro compensando indústria de transformação e construção em terreno fraco.



