segunda-feira, 26 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Programa de Lula cita IA 15 vezes, contra uma em 2022, e promete lei de direitos autorais

Segundo a Exame, o plano do quarto mandato menciona inteligência artificial ao menos 15 vezes, ante uma no de 2022, e inclui triagem por IA no SUS, centros de dados e remuneração a autores brasileiros.

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva em evento oficial
Lula (PT) foi reeleito neste domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, segundo a apuração citada pela Exame. Foto: Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O programa de governo com o qual Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) cita inteligência artificial ao menos 15 vezes, segundo levantamento publicado pela Exame nesta segunda-feira (26). No plano de 2022, a expressão aparecia uma única vez. A reportagem lista os compromissos de ciência e tecnologia que o presidente leva ao quarto mandato.

Lula recebeu 64.256.232 votos (51,79%) contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio Bolsonaro (PL), com 100% das urnas apuradas. A diferença foi de 4.430.191 votos. A Exame atribui a vitória à trajetória conhecida do eleitor e ao ganho de popularidade nos embates com Donald Trump, e cita o custo de vida e o endividamento das famílias como obstáculos da campanha.

Onze menções por extenso e quatro à sigla

De acordo com a contagem da Exame, o texto de 2026 traz onze ocorrências de "inteligência artificial" por extenso e ao menos quatro da sigla "IA". Os usos vão da administração pública ao campo. O governo promete empregar a tecnologia no Portal da Transparência e ampliar a oferta de dados abertos.

No setor produtivo, o plano fala em ampliar a adoção de tecnologia, principalmente na agropecuária, na saúde e nos serviços financeiros. Também prevê recursos públicos para instituições que desenvolvam equipamentos e programas com IA, e o monitoramento por satélite com apoio da tecnologia para combater crimes ambientais.

Triagem no SUS e prontuário no celular

A saúde concentra as propostas mais concretas. O programa quer acelerar o uso de IA na triagem de pacientes, na identificação de casos graves, na organização do atendimento por risco clínico e no apoio ao diagnóstico onde faltam especialistas. A tecnologia também entraria na regulação do encaminhamento para a atenção especializada.

O prontuário único do cidadão, integrado pela Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), teria a implantação acelerada. A ideia é que o paciente marque consultas em Unidades Básicas de Saúde e veja resultados de exames pelo celular, com prioridade para regiões de maior vulnerabilidade social. Na atenção básica, o texto prevê reforço de teleconsultas e acolhimento a distância. Para a rede hospitalar, cita telecirurgias, procedimentos com robôs e hospitais inteligentes.

Lei para o ambiente digital e infraestrutura nacional

No campo regulatório, o programa promete aprovar uma lei para o ambiente digital e regulamentar a IA, de modo a garantir remuneração a artistas, músicos e autores quando plataformas usarem conteúdo brasileiro. O texto não detalha, segundo a Exame, como esse pagamento seria calculado.

Na infraestrutura, o plano propõe estimular uma cadeia nacional de tecnologia, dos centros de dados à computação em nuvem, com a meta de colocar o país entre as lideranças em IA.

O que as big techs e o Congresso vão enfrentar

Para as empresas de tecnologia, o compromisso de remunerar autores brasileiros indica que o tema de direitos autorais deve entrar na pauta do governo em 2027. Os projetos de regulação de IA e do ambiente digital dependem de votação no Congresso, e o programa, por ser um documento de campanha, não traz prazos. A reportagem da Exame também não traz falas de integrantes do governo ou de especialistas sobre a viabilidade das propostas.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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