O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (26) que a eleição brasileira pareceu fraudada, sem apresentar qualquer indício de irregularidade, segundo o g1, a CNN Brasil e o Metrópoles. Na mesma fala, ele afirmou que gosta de Lula e que se dá bem com o presidente reeleito.
Trump também disse que não tomou partido e que a imagem passada ao mundo foi ruim. De acordo com o Metrópoles, ele afirmou ainda que eleições precisam ser incontestáveis. Segundo a CNN Brasil, perguntado se tomaria alguma atitude, respondeu que não comanda o Brasil, e sim os Estados Unidos.
O resultado que Trump pôs em dúvida
Lula (PT) venceu o segundo turno, no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL), de acordo com os números reproduzidos pelo Metrópoles. No primeiro turno, Flávio havia ficado na frente, com 47,03% contra 45,16%. O Metrópoles aponta que é a primeira vez desde a redemocratização que um candidato vence o segundo turno depois de ficar em segundo lugar no primeiro.
A CNN Brasil informa que o Tribunal Superior Eleitoral e outras autoridades confirmaram a lisura do pleito. Lula tomará posse para o quarto mandato em 5 de janeiro de 2027. Flávio contestou o resultado, mas o Metrópoles não detalha os termos da contestação.
A oscilação de Trump em três dias
A fala desta segunda destoa do tom anterior. No domingo, segundo o Metrópoles, Trump disse apenas que os Estados Unidos monitoravam a disputa e que não queria entrar no assunto. Depois do primeiro turno, ele havia chamado o desempenho de Flávio de grande vitória, mas previu uma disputa apertada no segundo.
Até esta segunda, o governo americano não havia divulgado comunicado parabenizando Lula nem reconhecendo formalmente o resultado, e a administração havia adiado a publicação de uma mensagem sobre a eleição, conforme o Metrópoles. Em agosto, um funcionário do Departamento de Estado disse ao veículo que os EUA respeitariam a escolha dos brasileiros em eleições livres e justas e descartou romper relações diplomáticas.
Pressão sobre o resultado e a relação bilateral
Em setembro, 31 deputados democratas acusaram o governo Trump de pressionar instituições brasileiras com medidas econômicas, políticas e diplomáticas, e cobraram garantias de que Washington respeitaria o resultado das urnas. O Metrópoles também menciona uma nova disputa comercial, com proposta americana de taxar produtos brasileiros, que levou governo e Congresso a discutir estratégias de reação.
Na prática, a ausência de reconhecimento formal e a dúvida lançada por Trump sobre a apuração chegam justamente quando Flávio Bolsonaro contesta o resultado. Cabe ao governo Lula, que assume em 5 de janeiro, negociar com um interlocutor que elogia o presidente reeleito e, ao mesmo tempo, questiona a legitimidade da votação que o reelegeu. O desfecho dependerá de o Departamento de Estado divulgar ou não a mensagem adiada sobre o pleito.



