A Petrobras anunciou neste domingo (1º) um aumento de 7,2% no preço médio do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, o que corresponde a R$ 0,45 por litro em relação a outubro. O novo valor está em vigor desde 1º de novembro de 2026, de acordo com nota da estatal reproduzida pelo Poder360 e pelo Metrópoles.
É o quarto reajuste seguido para cima. Segundo o Poder360, o combustível subiu 1,9% em agosto, 13,9% em setembro e 11,7% em outubro. Em junho e julho, a Petrobras havia feito cortes de 14,2% e 14,4%.
O que a Petrobras diz ter pesado no preço
Na nota, a empresa atribui a alta à elevação das cotações internacionais do QAV, num quadro de tensões militares no Oriente Médio e de menor capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia, por causa da guerra entre os dois países. De acordo com o Poder360, o petróleo Brent fechou a sexta-feira (30) a US$ 113 por barril.
A estatal também defende que o preço brasileiro segue uma fórmula paramétrica prevista em contrato, que funciona como amortecedor e produz reajustes mais moderados que os do exterior. Segundo a nota, nos principais mercados internacionais os preços para as companhias aéreas são revistos com mais frequência, até diariamente. Por isso, afirma a Petrobras, a variação acumulada desde o início do conflito é maior lá fora do que no Brasil.
O Metrópoles, que também reproduz a nota, não menciona o número de aumentos seguidos nem o nível do Brent. Em seu subtítulo, fala em tensões no Oriente Médio e na Europa, enquanto o comunicado da Petrobras cita a Europa apenas pela redução do refino russo e ucraniano.
Quanto o combustível já pesa para as aéreas
De acordo com a Abear, associação das companhias aéreas, o preço médio do QAV acumula alta de 90% desde 1º de março, quando começou a guerra no Oriente Médio. Antes do conflito, o combustível respondia por algo entre 30% e 32% das despesas operacionais das empresas. Hoje passa de 45%, segundo a entidade.
O Poder360 informa ainda que Latam, Gol e Azul gastaram R$ 5,2 bilhões a mais que o previsto em 2026 com combustível, dado de agosto. A diferença entre a alta de 90% apontada pela Abear e os percentuais mensais da Petrobras não é explicada nas matérias, e a base de comparação da associação não foi detalhada.
O que ainda amortece a conta
Em setembro, a Petrobras retomou um programa que permite às distribuidoras parcelar os reajustes do QAV em três parcelas mensais. A estatal responde por cerca de 85% da produção nacional do combustível, o que torna seus reajustes a principal referência de custo para o setor.
As reportagens lidas não tratam do efeito do aumento sobre o preço das passagens. A decisão de repassar ou não o custo ao consumidor cabe a cada companhia, e o combustível já ocupa quase metade da estrutura de despesas delas.



