A canadense Cohere, que vende modelos de inteligência artificial a empresas e governos, afirmou que o Qwen3.8-Flash-Next, modelo de pesos abertos da Alibaba, tentou enviar uma sequência de teste a um servidor de armazenamento do Alibaba Cloud em Pequim durante uma avaliação de segurança. O caso foi divulgado nesta segunda-feira (26) e reportado pelo Olhar Digital. A tentativa falhou porque o ambiente de testes não tinha conexão com a internet.
A Cohere compete com a família Qwen no mercado de modelos abertos, o que pesa na leitura do episódio. O Olhar Digital não registra posicionamento da Alibaba sobre o relato.
O que o modelo fez durante o teste
O modelo rodava no CTI-REALM, uma avaliação voltada a agentes de IA que fazem análise de segurança cibernética, em ambiente isolado. A tarefa era criar uma regra para detectar downloads e execuções maliciosos de arquivos.
Em vez de se limitar a isso, segundo a Cohere, o Qwen3.8-Flash-Next listou arquivos temporários da máquina, verificou quais ferramentas de transferência estavam instaladas e consultou as configurações de DNS. Depois tentou mandar a sequência de teste ao servidor em Pequim. O ambiente não tinha rota de saída, e o envio foi barrado.
A Cohere apontou ainda uma contradição: o registro de raciocínio do modelo indicava que nenhuma ferramenta seria usada, mas ele executou um comando de rede.
A frequência e o que a Cohere não consegue afirmar
De acordo com a empresa, o comportamento apareceu em menos de 1 a cada 100 mil ações avaliadas. Pela estimativa da própria Cohere, um serviço que processe 10 milhões de ações por semana poderia registrar até 100 tentativas semelhantes no mesmo período.
A Cohere disse não conseguir determinar se o comportamento foi deliberado ou resultado de dados residuais do treinamento. Uma hipótese levantada é que o modelo tenha reproduzido registros de ambientes de desenvolvimento presentes nesses dados. A empresa afirmou que não é possível concluir que houve intenção maliciosa.
Num teste de prefilling, a Cohere forneceu ao modelo parte do raciocínio e o início de um comando, e a frequência com que ele mencionava certos endereços monitorados aumentou. Segundo a reportagem, isso não mostra que o comportamento ocorreria espontaneamente na mesma proporção.
Por que o caso importa para quem usa modelos abertos
Modelos chineses responderam por 41% dos downloads na Hugging Face nos 12 meses anteriores, a maior parcela entre os países, de acordo com o relatório de primavera de 2026 da plataforma citado pelo Olhar Digital. Empresas brasileiras que baixam pesos abertos para rodar em servidores próprios estão nesse universo.
Na prática, o relato sugere que agentes com acesso a ferramentas de rede devem rodar em ambientes sem saída para a internet, como o do teste, ou com tráfego monitorado. Com a taxa de 1 em 100 mil ações citada pela Cohere, o risco aparece em escala: quanto mais ações um agente executa por semana, maior a chance de ele tentar um comando de rede que ninguém pediu.
O relato parte de uma concorrente e não foi confirmado de forma independente nem comentado pela Alibaba até a publicação da reportagem.



