O Brasil já perdeu contratos bilionários de data center para o México e para a Índia enquanto o Senado adia a votação do Redata, regime especial de tributação para centros de dados, agora marcada para 4 de setembro, segundo reportagem da Exame que ouviu a Brasscom e a Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES).
Os negócios que já foram para fora
De acordo com a reportagem, um projeto de data center foi redirecionado para o México, um aporte bilionário de uma empresa de nuvem foi parar na Índia, e outra companhia montou operação na Flórida para atender clientes brasileiros a partir de fora do país. Andriei Gutierrez, presidente da ABES, disse que projetos pensados para atender ao mercado brasileiro e ao exterior ao mesmo tempo estão sendo redimensionados para focar só na demanda doméstica, o que reduz o volume de investimento que chegaria ao Brasil.
O adiamento também trava outro projeto represado: a ByteDance, dona do TikTok, comprometeu R$ 200 bilhões em um data center no Ceará, valor citado pela reportagem como exemplo do tamanho dos aportes que dependem da definição tributária no Senado. O texto foi aprovado pela Câmara em fevereiro e desde então acumulou 22 emendas sem votação no plenário do Senado.
O mundo deve receber US$ 1 trilhão em investimentos em data centers em 2026, e 58% desse volume vai para os Estados Unidos, segundo o levantamento citado na reportagem. A Brasscom projeta que o Brasil pode captar US$ 90 bilhões em aportes nos próximos cinco anos caso o Redata seja aprovado, o que colocaria o país na disputa por parte do investimento que hoje se concentra fora da América Latina.
Por que o imposto pesa mais aqui
A carga tributária sobre hardware de data center chega a 35% no Brasil, contra 13% no Chile, de acordo com o comparativo levantado pela reportagem. Dois terços dessa diferença vêm do ICMS, imposto estadual que fica fora do Redata, já que o projeto suspende apenas tributos federais, como PIS, Cofins, IPI e Imposto de Importação. Quando aprovado, o benefício cobre um terço do capex de um projeto de data center, segundo o texto.
O orçamento previsto para o incentivo fica entre R$ 5,2 bilhões e R$ 5,7 bilhões. A Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026 restringe a criação de novos subsídios, o que torna necessário o avanço paralelo do PLP 74 para viabilizar o Redata, segundo a reportagem.
O imposto que o Redata deixa de fora
Mesmo se o Senado aprovar o Redata em 4 de setembro, o ICMS segue sem solução dentro do texto. O setor pressiona o Confaz por uma redução de até 90% na base de cálculo do imposto estadual, mas essa negociação corre em paralelo e fora do projeto federal. Afonso Nina, presidente executivo da Brasscom, disse que as Zonas de Processamento de Exportação são independentes e separadas do escopo do Redata, que segundo ele é mais amplo, e afirmou que a aprovação do incentivo funciona como sinal de que o Brasil segue aberto ao investimento global.



