O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, virou alvo de críticas dentro do próprio governo depois que a PEC do fim da escala 6x1, aprovada na CCJ do Senado na quarta-feira (2), não entrou na pauta do plenário. O Valor Econômico registra que aliados cobram falha na articulação com a Casa e com o presidente Davi Alcolumbre (União-AP).
Segundo relatos ao Valor, Guimarães chegou otimista ao dia da votação, cumpriu agendas no Planalto pela manhã e só foi ao Senado no fim da tarde, depois da Ordem do Dia. A proposta, bandeira de campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a menos de um mês do primeiro turno, ficou para depois de 4 de outubro, sob o argumento de evitar uso eleitoral.
Oposição esvaziou o plenário
A Exame e a Agência Brasil descrevem a leitura da liderança governista: o líder Randolfe Rodrigues (PT-AP) disse a Alcolumbre que o mapa tinha no máximo 54 votos, sem segurança para os 49 necessários em dois turnos. Com o plenário esvaziado, Randolfe atribuiu a manobra a Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN).
Auxiliares admitem que a resistência da oposição era previsível e que cabia à articulação neutralizá-la antes da sessão. A PEC 6x1 era uma das três prioridades do esforço concentrado, ao lado da MP que acabou com a taxa das blusinhas (aprovada) e da PEC da Segurança Pública (travada em destaques na CCJ).
Viagens e silêncio no sábado
O Valor nota que na quinta (3) Guimarães passou o dia fora do Planalto e do Congresso, e na sexta (4) foi a agenda de campanha com Lula no Ceará. As viagens frequentes também geram ressalvas. Procurado, o ministro não se manifestou sobre as críticas. Neste sábado (5), comemorou em mensagem os avanços da semana e agradeceu Alcolumbre e Hugo Motta (Republicanos-PB) pela parceria.



