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Cury e Caiado levam 5,07% dos votos a Flávio, mais que o dobro da distância para Lula

Augusto Cury (2,89%) e Ronaldo Caiado (2,18%) declararam voto em Flávio Bolsonaro, e a soma supera em 2,7 vezes a diferença de 1,87 ponto do 1º turno. Pesquisa, porém, mostra o eleitor de Cury inclinado a Lula.

Urna eletrônica usada nas eleições brasileiras
O 2º turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) acontece neste domingo, 25 de outubro. Foto: Lima Andruška from Rio de Janeiro, Brazil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Os dois candidatos que ficaram atrás de Lula e Flávio Bolsonaro e já declararam apoio no segundo turno escolheram o mesmo lado. O escritor Augusto Cury (Avante) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) vão votar no senador do PL na eleição de domingo (25), segundo levantamento da CNN Brasil. Os anúncios saíram nos dias 6 e 8 de outubro, e o peso dessa soma importa agora, a três dias da votação.

No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio teve 47,03% dos votos válidos, cerca de 56,1 milhões. Lula ficou com 45,16%, perto de 53,8 milhões. A diferença foi de 1,87 ponto percentual.

Quanto pesam os votos dos dois aliados

Cury terminou em terceiro, com 3.448.569 votos, ou 2,89% dos válidos, de acordo com o TSE. Caiado foi o quinto colocado, com 2,18% e cerca de 2,6 milhões de votos. Somados, chegam a 5,07% do total, mais que o dobro da distância entre os finalistas.

Esse número, porém, funciona como teto, não como previsão. Voto declarado de candidato não se transfere por inteiro. Uma pesquisa do instituto Ideia citada pela CNN Brasil mostra que 48% dos eleitores de Cury escolhem Lula e 36% preferem Flávio. Outra, da Real Time, indica que 44% desse grupo aprova o governo Lula e 56% o reprova.

As oito condições da carta de Cury

O escritor anunciou o apoio em 8 de outubro, depois de uma videochamada com Flávio. A adesão veio acompanhada de uma carta com oito compromissos. A CNN Brasil lista parte deles: fim da reeleição para presidente, ampliação da educação integral e do ensino técnico, valorização dos professores e expansão da telemedicina integrada ao SUS. Há ainda itens sobre proteção às mulheres, apoio a cooperativas, crédito a microempresas, aumento da produção de alimentos e pacificação nacional.

O documento afirma que o acordo não envolve troca de cargos nem vantagens pessoais. Também traz uma ressalva sobre o período posterior à eleição: o apoio será sempre acompanhado do direito de cobrar, questionar, criticar e exigir coerência entre as palavras e os atos.

Na prática, a carta dá a Cury um argumento para cobrar Flávio caso ele vença, sem que o escritor entre no governo. Para a campanha, é um texto que pode ser mostrado a eleitores de centro que rejeitam o PT, mas desconfiam de acordos de bastidor.

Caiado subiu ao palanque em Goiânia

O apoio de Caiado foi anunciado em 6 de outubro, em evento em Goiânia, na primeira aparição pública de Flávio depois do primeiro turno. Segundo a CNN Brasil, Caiado disse que as convergências com Flávio superam as diferenças e apresentou o gesto como forma de derrotar o PT. Entregou ao candidato uma pasta com sugestões de propostas e de agenda.

Também estiveram no evento o governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o governador eleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB). A matéria não detalha condições formais do apoio de Caiado além dessa pasta.

Os votos que ainda decidem a disputa

Quem vencer assume em janeiro de 2027. Flávio saiu do primeiro turno com 1,87 ponto de vantagem, e os apoiadores dele reúnem 5,07 pontos de eleitores ainda em disputa. A transferência efetiva desses votos, mais que o apoio em si, pode decidir a eleição. Pelas duas pesquisas citadas, o eleitor de Cury é o mais incerto dos dois blocos.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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