terça-feira, 3 de novembro de 2026 · Edição diária

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Aliados de Lula pressionam o BC por corte da Selic de 13,75% na semana do Copom

Parlamentares do PT atacam o mercado e cobram Gabriel Galípolo, enquanto mais analistas passam a prever a Selic mantida em 13,75%, em vez do corte de 0,25 ponto esperado antes da eleição.

Fachada do Banco Central do Brasil em Brasília
O Copom se reúne nesta semana com a Selic em 13,75% ao ano e pressão política crescente por corte. Foto: Pexels / Matheus Natan

Deputados e dirigentes do PT elevaram nesta segunda-feira (2) a pressão sobre o mercado financeiro e o Banco Central por uma redução da Selic, hoje em 13,75% ao ano, às vésperas da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo informou o Estadão Conteúdo. O texto não traz a data exata da reunião, apenas que ela ocorre nesta semana.

Antes da reeleição de Lula, a aposta predominante era de um corte de 0,25 ponto percentual, como o feito pelo Copom em setembro. Depois do segundo turno, de acordo com o Estadão/Broadcast, cresceu o número de bancos e analistas que esperam a manutenção da taxa. A mediana das estimativas ainda indica um corte, mas caiu a expectativa de novas reduções em 2027.

O tom dos aliados contra o mercado

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) criticou no X a mudança nas projeções dos analistas e afirmou que o mercado está fazendo política e sabotando a economia. Para ele, a Selic não deve ser definida pelo humor do mercado financeiro. Lindbergh também cobrou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, mas a reportagem não detalha o que foi pedido.

A deputada Gleisi Hoffmann (PR) escreveu que o mercado financeiro tem o DNA do autoritarismo e lembrou que ele torceu por Flávio Bolsonaro. Já o deputado Zeca Dirceu (PT-PR) disse que os juros precisam cair, mas sem imposição, e que os bilionários pagarão a conta porque foi essa a decisão das urnas. Em entrevista ao Metrópoles na sexta-feira (30), o ex-ministro Rui Costa havia falado em especulação e em ganhos extraordinários no setor financeiro.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, divulgou nota criticando as especulações na área econômica e lembrando que só o ministro da Fazenda pode falar pelo governo sobre o tema.

O que o governo nega e o que Lara Resende propõe

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou no domingo (1º) que tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não está em avaliação. Ele também negou que haja agenda entre Lula e o economista André Lara Resende, apesar de O Globo ter noticiado um encontro nesta semana. Segundo Durigan, vários economistas se colocaram à disposição para dialogar com o presidente, mas nada foi marcado.

O nome de Lara Resende voltou ao debate por causa de um artigo publicado em 25 de setembro no Substack. Um dos pais do Plano Real e ex-presidente do BNDES no governo Fernando Henrique Cardoso, ele critica a política monetária atual e propõe reduzir a Selic de forma gradual, ao longo de cerca de 12 meses, até aproximadamente 7,5% ao ano. Também defende um Conselho Fiscal e Monetário Nacional, que fixaria metas fiscais e monetárias para quatro a cinco anos.

Dólar a R$ 5,44 e a incerteza fiscal por trás do juro

A discussão ocorre depois de uma semana de forte alta do dólar e dos juros futuros. Segundo o Estadão Conteúdo, a moeda americana subiu 1,05% na sessão e fechou a R$ 5,4443, o maior valor de fechamento desde dezembro de 2025. A reportagem atribui o movimento a preocupações fiscais após a reeleição de Lula, aversão a risco no exterior, apostas em aperto monetário nos Estados Unidos e pessimismo com o retorno dos investimentos em inteligência artificial.

O texto aponta que a cautela foi reforçada pela falta de anúncios de medidas de ajuste de gastos para o próximo mandato e de nomes para a nova equipe econômica. Na prática, o Copom decide com um dólar mais caro e sem sinal fiscal do governo, o que sustenta a tese dos analistas que apostam na pausa. Para o governo, a manutenção em 13,75% manteria o custo da dívida pública e do crédito no patamar atual, e a pressão política tende a aumentar caso o BC opte por não cortar.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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