O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), defendeu o equilíbrio fiscal nesta segunda-feira (2) ao anunciar, em suas redes sociais, que o secretário estadual da Fazenda, Emílio Joaquim de Oliveira Júnior, continuará no cargo no próximo mandato. A mensagem termina com a frase "Viva o Equilíbrio Fiscal!!!" e chega em meio às especulações de que ele comandaria o Ministério da Fazenda no novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), segundo InfoMoney e Metrópoles.
Na publicação, Fonteles agradeceu ao secretário por aceitar a renovação de uma "missão tão importante para garantir o equilíbrio fiscal do Estado do Piauí e, consequentemente, as diversas políticas públicas que melhoram a vida do nosso povo". O texto liga a disciplina das contas à capacidade de manter programas sociais, argumento que costuma ser usado dentro do PT para responder a críticas do mercado.
Os números que o governador escolheu mostrar
Junto com o anúncio, o governador listou indicadores das contas do estado. Segundo a InfoMoney, que reproduz texto do Estadão Conteúdo, ele afirmou que o Piauí é o primeiro do país em investimento público em relação à receita. Citou ainda capacidade de pagamento B+ pelo critério do Tesouro Nacional e despesa de pessoal controlada, em 38%.
Fonteles disse também que o Piauí é um dos dois únicos estados sem dívida com o governo federal. A taxa de endividamento total, de acordo com ele, é inferior à metade da registrada em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A Metrópoles acrescenta que a nota B+ permite ao estado contratar empréstimos com garantia da União. Todos os números são declarações do governador, e as reportagens não os confrontam com dados do Tesouro.
Cotação para a Fazenda e a questão da posse
Fonteles coordenou a campanha de Lula no segundo turno e, desde então, ganhou espaço entre os aliados mais próximos do presidente, de acordo com a Metrópoles. O nome dele passou a ser citado para chefiar a equipe econômica a partir de 2027. O governador nega ter discutido com Lula, ou com outras pessoas, a possibilidade de assumir um cargo no quarto mandato.
A InfoMoney afirma que, uma semana após a reeleição do presidente, o principal cotado à Fazenda tem sinalização positiva de setores da economia e do mercado financeiro. A reportagem não cita nomes nem apresenta dados dessa avaliação. Em entrevista ao Estadão, Fonteles disse que o governo Lula fará equilíbrio fiscal com o corte de privilégios, e não de benefícios sociais.
Há um obstáculo político. O governador foi reeleito com 70,90% dos votos válidos, a maior vitória percentual do país. Segundo o Broadcast Político, se ele deixar o Piauí para integrar o governo federal sem tomar posse, será a primeira vez em 108 anos que um político eleito pelo voto popular decide não assumir o governo estadual.
O que a permanência do secretário sinaliza
Manter o secretário da Fazenda é uma escolha administrativa para o Piauí, mas também funciona como mensagem a quem acompanha a escolha do próximo ministro. Fonteles mostra continuidade na gestão das contas estaduais e um discurso de ajuste pelo lado dos gastos considerados privilégios, sem tocar em benefícios sociais.
Até esta segunda-feira, as reportagens não registram manifestação de Lula nem do atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sobre o nome do governador. Para o mercado, a definição do comando da Fazenda pesa na leitura sobre a política fiscal de 2027, e o próprio Fonteles diz que não houve conversa sobre o assunto.



