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Selic em 13,75%: 33 de 48 economistas esperam pausa e crédito barato some do horizonte

Pesquisa da Reuters mostra 33 de 48 economistas apostando em manutenção da Selic em 13,75% nesta quarta-feira, após o real perder 8,5% em uma semana. As famílias já comprometem 29% da renda com dívidas.

Fachada de prédio do Banco Central do Brasil
O Copom, no Banco Central, começa nesta terça-feira a reunião que define a Selic na quarta-feira. Foto: Pexels / Bruno Curly

Uma pesquisa da Reuters divulgada nesta terça-feira (3) indica que o Banco Central deve pausar a queda de juros: 33 de 48 economistas consultados esperam que o Copom mantenha a Selic em 13,75% ao ano na decisão de quarta-feira. A reeleição de Lula na semana passada derrubou os mercados e deixou o crédito mais barato fora do horizonte imediato, segundo a agência.

Os diretores do BC iniciam hoje a reunião. O comitê reduziu a taxa em 25 pontos-base em cada uma das cinco reuniões anteriores, e a decisão desta semana funciona, nas palavras da Reuters, como o primeiro teste de como a eleição alterou as perspectivas para os juros.

O que o mercado fez em uma semana

De acordo com a Reuters, o real perdeu 8,5% frente ao dólar e o Ibovespa recuou cerca de 18% na semana anterior. O movimento veio porque a vitória de Lula contrariou as apostas em Flávio Bolsonaro (PL), que haviam impulsionado uma alta depois de o candidato liderar inesperadamente o primeiro turno.

As previsões medianas da pesquisa indicam que a Selic ficaria em 13,75% até o segundo trimestre de 2027. A inflação acumulada no ano até meados de outubro era de 4,62%, segundo os dados citados pela agência.

Liam Peach, economista sênior de mercados emergentes da Capital Economics, estima que a desvalorização do real possa somar 0,3 ponto percentual à inflação geral em seis meses. Ele espera que os cortes sejam suspensos, e não revertidos. Sua maior preocupação é a alta dos rendimentos dos títulos públicos: se persistir, afirmou, deixa as condições de financiamento mais restritivas, agrava os problemas fiscais e aprofunda a desaceleração do PIB que a consultoria projeta para 2027.

A mensagem pesa mais que o número

Carlos Carranza, gestor de fundos de dívida de mercados emergentes da M&G Investments, disse que, seja um corte de 25 pontos-base ou a manutenção, a comunicação do Copom será mais importante do que a taxa em si. Ele avalia que reduzir os juros sem reconhecer os riscos da desvalorização do real seria prejudicial, embora não espere esse movimento do comitê.

Antonina Tarassiouk, da Reams Asset Management, também prevê pausa. Para ela, a eleição tornou a inflação mais difícil de controlar, sobretudo se o petróleo seguir acima de US$ 100 o barril, e revisões para baixo no crescimento de 2027 seriam necessárias para o BC voltar a afrouxar.

Petar Atanasov, da Gramercy Funds Management, vê espaço para ajuste fiscal sob Lula, mas em ritmo mais lento do que os investidores esperavam num governo de Flávio. Carranza acrescenta que convencer o mercado de que as contas públicas estão sob controle, sem cortar gastos sociais, será decisivo para baixar o custo de financiamento nos próximos quatro anos.

Quem paga a conta do crédito caro

A Reuters lembra que os juros da dívida pública chegaram a 9% do PIB nos 12 meses até setembro, a maior fatia desde janeiro de 2016. Do lado das famílias, dados do BC divulgados na semana passada mostram endividamento recorde de 50,1% da renda anual, e o pagamento dessas dívidas consome um recorde de 29% da renda.

Na prática, a manutenção da Selic em 13,75% preserva o custo de cartão, financiamento e capital de giro num momento em que o orçamento doméstico já está no limite histórico. O alívio só volta à pauta se o câmbio se acalmar e o governo apresentar um plano fiscal que o mercado aceite.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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