quinta-feira, 27 de agosto de 2026 · Edição diária

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SK Hynix investe US$ 4 bilhões nos EUA, mas avisa: chip de memória para IA só normaliza em 2030

A fabricante sul-coreana começou obras de uma fábrica de mais de US$ 4 bilhões em Indiana nesta quinta-feira (27), mas a produção só arranca em 2029 e o CEO Kwak Noh-Jung projeta escassez de memória até o fim de 2030.

Fábrica de chips de memória em construção nos Estados Unidos
A SK Hynix inicia em West Lafayette, Indiana, a primeira fábrica de HBM da empresa em solo americano, com produção prevista para 2029. Foto: Pexels / Marta Branco

A SK Hynix, fabricante sul-coreana de chips de memória, iniciou nesta quinta-feira (27) as obras de uma fábrica de mais de US$ 4 bilhões em West Lafayette, Indiana, dedicada à produção de chips HBM4E usados em servidores de inteligência artificial, segundo reportagem da agência Reuters replicada pela Folha de S.Paulo. A produção em escala só começa no terceiro trimestre de 2029, e a empresa afirmou que a escassez global de memória para IA deve durar até o fim de 2030.

A unidade fica no Purdue Research Park e vai reunir uma linha de empacotamento de HBM de nova geração e um centro de pesquisa em semicondutores para inteligência artificial. As operações de sala limpa começam no segundo semestre de 2028, um ano antes da produção em volume. O projeto recebeu US$ 458 milhões em subsídios do governo dos Estados Unidos e pode acessar até US$ 500 milhões em empréstimos pelo CHIPS Act, financiamento fechado em dezembro de 2024. A SK Hynix estima gerar cerca de 7 mil empregos diretos e indiretos na região.

Por que o alívio só chega depois de 2030

O intervalo entre o início das obras e a entrada em operação explica por que a fábrica não resolve o aperto de oferta no curto prazo. O presidente-executivo da SK Hynix, Kwak Noh-Jung, disse não enxergar sinais de recuo na demanda por chips de memória e afirmou que a escassez deve se estender até o fim de 2030, segundo a Reuters. A companhia já havia projetado neste ano que 2027 traria o momento mais apertado de oferta da história do setor, com a demanda dos clientes superando a capacidade de produção por vários anos.

A SK Hynix lidera o mercado global de HBM, com 58% de participação no primeiro trimestre de 2026, à frente de Samsung Electronics e Micron Technology, cada uma com 21%, segundo dados citados pela reportagem. Entre os principais compradores dos chips estão Nvidia, Microsoft e Google, que usam a memória de alta largura de banda para acelerar o treinamento e a operação de modelos de inteligência artificial em seus data centers. A fábrica em Indiana aproxima a produção desses clientes americanos e marca a primeira planta de HBM da SK Hynix fora da Ásia.

Uma aposta de US$ 38 bilhões até 2031

A obra em Indiana é parte de um plano maior de expansão. A SK Hynix já aprovou investimentos de 54,3 trilhões de wones, cerca de US$ 38,3 bilhões, até 2031, dos quais 35,2 trilhões de wones vão para plantas na Coreia do Sul. O restante financia a entrada da empresa na produção de memória em solo americano, um passo que os concorrentes Samsung e Micron ainda não deram na mesma escala para o HBM4E.

Quem paga a conta da escassez

Enquanto a oferta não aumenta, o custo de montar infraestrutura de inteligência artificial segue pressionado. Provedores de nuvem e fabricantes de servidores que dependem de HBM tendem a repassar o preço mais alto da memória a clientes finais, dos data centers corporativos aos projetos que países como o Brasil tentam atrair com incentivos como o Redata. Entre o anúncio desta semana e a entrada em operação da fábrica americana, em 2029, o mercado de memória segue apertado, e a conta de qualquer novo data center no mundo passa pelo preço desses chips.

Redação Real Nacional

Equipe editorial do Real Nacional. Cobertura de inteligência artificial, política e economia com fontes públicas citadas. Fundado por Izaias Pertrelly. Expediente · Política editorial · Correções

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