A Solo Network, integradora de tecnologia de Curitiba, anunciou a compra de 80% da Planeje, empresa de engenharia e construção de data centers, segundo reportagem da Exame publicada neste domingo (1º). Os sócios da Solo ficaram com as cotas por meio de suas holdings. O plano é executar projetos completos de data centers de pequeno e médio porte em todo o país.
De acordo com a Exame, o grupo reservou cerca de R$ 10 milhões para capital de giro e expansão comercial. Outros R$ 50 milhões podem ser liberados a partir de 2027, ao longo de três anos, conforme a demanda e as contratações dos clientes. O valor pago pelos 80% e a data de fechamento não foram divulgados.
Uma empresa de 32 pessoas que quer faturar R$ 200 milhões
A Planeje estima faturar R$ 30 milhões em 2026 e chegar a R$ 200 milhões em 2031, com apoio da estrutura comercial da Solo. Para 2027, a meta é dobrar a receita. A empresa manterá marca, equipe e estrutura operacional, com seus 32 profissionais. Eduardo Silveira, sócio, segue à frente das áreas comercial e de operações. A gestão administrativa e financeira passa a ser integrada ao grupo.
Entre os clientes atuais estão órgãos públicos, cooperativas agroindustriais, indústrias e instituições de ensino. O projeto de referência é o data center modular do Exército Brasileiro, inaugurado em 2025 depois de um edital. A Planeje o executou com a Envolve Ambientes Seguros, empresa que tem sócios em comum com a Solo.
Na obra do Exército, a Envolve instalou uma sala segura modular de 112 m², com proteção contra incêndio, arrombamento e impactos e blindagem eletromagnética. A Planeje ficou com as subestações, a climatização, os geradores com até 12 horas de autonomia, os no-breaks e mais de mil pontos de cabeamento. A estrutura atende o 3º Centro de Telemática de Área, que gere informações críticas da defesa nacional.
O que a Solo ganha ao descer para a obra
As três empresas dividem o trabalho assim: a Planeje faz engenharia, construção e integração. A Envolve fabrica painéis, portas, salas seguras e data centers modulares ou em contêineres, com capacidade para o equivalente a até 25 data centers por ano. A Solo entra com nuvem, software, dados e cibersegurança.
João Paulo Costa Pereira, CEO da Solo, disse à Exame que a empresa percebeu uma mudança na demanda por capacidade computacional e decidiu participar diretamente da cadeia de infraestrutura. A ambição dele aparece na legenda da foto divulgada pela companhia:
Nossa intenção é transformar essa estrutura em uma das principais operações do país no segmento de data centers de pequeno e médio porte.
Quem está por trás dos R$ 800 milhões
Fundada em 2002 por Pereira e Audreyn Justus, a Solo tem mais de 400 colaboradores, mais de 6 mil clientes e equipes comerciais em 14 estados. O faturamento foi de cerca de R$ 800 milhões em 2025, e a expectativa é chegar perto de R$ 1 bilhão em 2026. Em 2020, a equipe tinha cerca de 100 pessoas.
A Solo Iron, vertical de cibersegurança lançada em 2023, já responde por mais de 20% da receita. Pereira afirmou que a empresa vive o período de maior crescimento da sua história e que o perfil da receita está mudando, com mais serviços de cibersegurança, dados e IA e menos dependência de licenciamento.
A aposta se apoia em uma projeção do setor. A Brasscom estima que os investimentos acumulados em data centers no Brasil podem chegar a R$ 399,3 bilhões até 2030, sendo R$ 99,8 bilhões em infraestrutura e R$ 299,5 bilhões em equipamentos. Os R$ 60 milhões somados do grupo miram a fatia de projetos menores, fora das grandes obras de hiperescala.



