O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, anunciou nesta quinta-feira (3), em evento no Palácio do Planalto ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que o governo conseguiu zerar a fila de pedidos por benefícios do INSS em agosto. A definição usada pelo ministro não é a ausência de gente na espera: é quando o volume represado fica menor do que a entrada de novos pedidos no mês anterior, e a fila vira fluxo de atendimento.
Segundo o R7, Queiroz disse que a pasta recebeu uma fila grave, com cerca de 1,7 milhão de pedidos represados, e que o ponto de virada ocorreu em agosto. Ele listou cinco medidas: nomeação de novos servidores, teleatendimento para perícia médica, perícia documental, bônus a servidores e mutirões de fim de semana. Também afirmou que as reclamações por demora na análise caíram 82% entre janeiro e agosto.
O que a conta oficial deixa de fora
Reportagem do O Globo, publicada no mesmo dia do evento, registra que o estoque total de requerimentos ainda estava em cerca de 1,28 milhão em agosto (dado parcial até o dia 24). Em janeiro eram 3,07 milhões. A queda é grande, mas o anúncio de fila zerada trata como prazo normal quem espera há menos de 45 dias.
Na reunião do Conselho Nacional de Previdência Social citada pelo jornal, o diretor de Benefícios do INSS, Leonardo Bittencourt, informou que os processos com mais de 45 dias somaram 261 mil em agosto, contra 1,88 milhão em janeiro. Lula, na semana passada, já havia dito que a espera de 45 dias em cerca de 251 mil casos seria o patamar normal.
Pedidos sobem e TCU mantém alerta
Queiroz atribuiu parte da pressão ao aumento da demanda: a média mensal de pedidos passou de 897 mil em 2023 para 1,1 milhão em 2025 e 1,3 milhão em 2026. O O Globo também lembra que o TCU manteve a concessão de benefícios na Lista de Alto Risco da administração federal, por causa da fila e do salto de indeferimentos. O Globo mostrou alta de 70% nos indeferimentos entre janeiro e maio deste ano ante o mesmo período de 2025, o maior patamar desde 2021.
O ministro disse que Lula pediu recuperação da credibilidade da Previdência após a crise de desvios que tirou Carlos Lupi da pasta. Queiroz assumiu em maio de 2025. O anúncio ocorre a um mês do primeiro turno e transforma a metodologia da fila em disputa política: para o governo, agosto fechou o passivo; para a crítica, ainda há mais de um milhão de brasileiros aguardando resposta dentro ou fora dos 45 dias.



