O deputado federal Zé Trovão (PL-SC) anunciou neste domingo (1º) que disputará a presidência da Câmara contra Hugo Motta (Republicanos-PB) caso o PL não apresente um nome próprio, segundo o Poder360. O anúncio é um fato novo em relação à articulação de Motta com outros partidos pela recondução, e abre a primeira fissura declarada no campo da oposição.
A declaração foi feita em vídeo publicado no perfil oficial do parlamentar no Instagram. Segundo o Poder360, ele disse que há muito em jogo na eleição da Casa, entre eles a situação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos presos pelos atos de 8 de Janeiro de 2023. No mesmo vídeo, afirmou que não aceitará ser governado por um presidente que chamou de frouxo e mole, em referência direta a Motta.
Os números que sustentam Motta
A votação para o comando da Câmara está marcada para fevereiro de 2027. De acordo com o Poder360, Motta já soma apoio declarado de partidos que terão 338 deputados na próxima legislatura. Para ser eleito, ele precisa de ao menos 257 votos, o que deixa uma folga de 81 votos sobre o mínimo, se todos os apoios declarados se confirmarem.
A aliança reúne siglas do Centrão e da esquerda, um arco amplo que ajuda Motta a administrar a pressão de cada bancada. Também por isso a candidatura de Zé Trovão, sozinha, tem pouca chance de ameaçar a reeleição. Seu efeito mais provável é político: obrigar o PL a decidir se entra na disputa ou se negocia espaço com o atual presidente.
A decisão que cabe ao PL
O PL terá a maior bancada da Câmara em 2027, com 121 deputados, mas ainda não definiu quem disputará o comando da Casa. O partido deve discutir a escolha em reunião da bancada na quarta-feira (4), segundo o Poder360.
A situação coloca a legenda diante de duas saídas. Lançar um nome próprio significa enfrentar um adversário com ampla margem de votos declarados. Não lançar deixa o campo aberto para candidaturas individuais como a de Zé Trovão, que fala em nome de uma pauta de parte da base bolsonarista.
O que a presidência da Câmara controla
O presidente da Câmara decide a pauta do plenário e o ritmo de projetos do governo e da oposição, inclusive os temas de interesse da base de Bolsonaro que Zé Trovão citou. Por isso a eleição interessa ao governo Lula, que precisará negociar votos com um Congresso em que a direita e o centro têm maioria.
Até a reunião de quarta-feira, o que se sabe é que o PL não fechou posição e que Zé Trovão condicionou a candidatura a essa definição. Se o partido apresentar um nome, o deputado catarinense tende a recuar. Se não apresentar, a disputa de fevereiro deixará de ser uma recondução sem concorrente declarado.



