O ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT), afirmou no sábado (31) que a família Bolsonaro se tornou um "fardo político" para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segundo a Gazeta do Povo. A declaração foi publicada nas redes sociais do ministro e veio depois de o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negar que o governo dos EUA tenha participado dos preparativos da saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil.
Guimarães disse que a relação entre o governo americano e os Bolsonaro começa a gerar questionamentos dentro dos EUA e se transforma em mais um problema político para Trump. Na mesma publicação, o ministro usou as hashtags #DeportTheBolsonaros e #DeportTheBolsonarosNOW, que defendem a deportação da família.
A saída de Flávio e a negativa de Rubio
Flávio deixou o Brasil na terça-feira (27), acompanhado da mulher, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal. A viagem ocorreu dois dias depois do segundo turno, em 25 de outubro, no qual Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio, de acordo com o resultado citado pela Gazeta do Povo.
A Polícia Federal havia pedido a apreensão dos passaportes do senador sete minutos depois de o TSE anunciar o resultado, às 21h09 daquele domingo. O ministro Alexandre de Moraes avalizou o pedido, determinou a apreensão dos documentos e proibiu Flávio de deixar o país. Segundo a matéria, o senador afirmou ter saído do Brasil por sofrer perseguição e por ser alvo de possíveis ações ilegais do STF.
Rubio negou que o governo americano tenha tido participação direta na saída. No mesmo dia, segundo a Gazeta do Povo, Trump afirmou que não tinha planos de se encontrar com Flávio na Flórida, disse que o senador foi tratado "muito mal" e que ele é bem-vindo nos Estados Unidos.
A pergunta que Guimarães dirige ao eleitor americano
O ministro apresentou o caso como um constrangimento que nasce do próprio eleitorado de Trump. Ele questionou por que o governo americano alega não ter recursos suficientes para garantir saúde à população, mas usa sua estrutura para acolher uma família estrangeira que, nas palavras dele, está cercada de denúncias graves de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
As acusações citadas são a caracterização feita por Guimarães na publicação. A reportagem da Gazeta do Povo não informa que elas tenham resultado em condenação. O ministro também ligou o tema às eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, previstas para o início de novembro, e disse que a proximidade entre Trump e os Bolsonaro pode provocar reação entre eleitores americanos.
O que a declaração muda na relação com Washington
A fala parte de um integrante do núcleo político do governo Lula, responsável pela articulação com o Congresso, e não de um diplomata. Isso a coloca no campo da disputa política doméstica, e não de uma posição formal do Itamaraty. A matéria não menciona pedido oficial de deportação nem resposta da Casa Branca às hashtags.
Na prática, o episódio mantém o assunto Flávio na agenda bilateral logo depois de uma eleição apertada. Rubio e Trump tentaram se afastar da versão de que Washington ajudou na saída do senador. O governo brasileiro, por sua vez, passa a cobrar publicamente o custo político dessa proximidade ao presidente americano, justamente na semana em que os EUA vão às urnas.



