Bancos, fintechs e o iFood discutiram nesta quinta-feira (27), na Febraban Tech 2026, em São Paulo, até que ponto a inteligência artificial pode assumir sozinha a etapa final de uma compra: o pagamento. A informação é do InfoMoney, que acompanhou os painéis do evento com executivos de Zoop, Itaú Unibanco, iFood Pago, Koin e Jota.
Um estudo global da consultoria Accenture, batizado de Talk to My AI Agent e citado no evento, mostra que 74% dos consumidores dizem confiar mais em um agente pessoal de inteligência artificial do que em um amigo para fazer uma compra em seu nome. Apenas 12%, porém, afirmam que dariam autonomia total para esse agente concluir o pagamento sem qualquer confirmação.
Rodrygo Figueiredo, CPO da Zoop, disse que a inteligência artificial já participa da pesquisa e da escolha de produtos e que o próximo passo é deixar que ela também execute a transação. Segundo ele, a Zoop levou 12 anos para colocar 50 mil maquininhas físicas em operação e hoje movimenta mais de R$ 150 bilhões por ano, um ritmo que contrasta com o do Tap to Pay, tecnologia de pagamento por aproximação que saiu de zero para mais de 1 milhão de dispositivos ativos no Brasil em dois anos.
O teste do Ailo, no iFood
O exemplo mais concreto apresentado no painel foi o do Ailo, assistente de inteligência artificial do iFood. Thais Redondo, diretora de pagamentos do iFood Pago, disse que o Ailo já permite ao usuário pedir recomendações e escolher a forma de pagamento dentro do aplicativo. A expectativa da empresa, segundo ela, é que o próprio assistente conclua o pagamento ainda em 2026, sem que o cliente precise abrir o aplicativo tradicional para fechar a compra.
Aline Pavan, Community CIO do Itaú Unibanco, e Davi Holanda, CEO e fundador da Jota, também participaram da discussão. O debate ocorre num momento em que os bancos brasileiros já direcionam parte do orçamento de tecnologia para inteligência artificial: pesquisa da Febraban mostra que 78% das transações bancárias no país já acontecem pelo celular, e o setor deve investir R$ 50,4 bilhões em tecnologia neste ano.
Bom bot, mau bot
Otoniel Mendes, head de antifraude da Koin, disse que o avanço dos agentes de compra obriga o mercado a separar o que chamou de bom bot do mau bot: diferenciar um assistente autorizado pelo próprio consumidor de um programa que simula esse comportamento para aplicar fraude. Segundo ele, essa distinção ainda não tem padrão consolidado entre bancos, adquirentes e fintechs.
Thais Redondo afirmou que segurança e experiência do usuário não podem ser tratadas como frentes separadas, sob risco de a solução final falhar nos dois pontos ao mesmo tempo. A empresa mantém, segundo ela, uma fricção inteligente: etapas de confirmação que continuam ativas mesmo com o avanço da automação, reservadas para os momentos em que o risco da transação é maior.
Quanto falta para o agente pagar sem confirmação
Os números apresentados no evento mostram a distância entre a tecnologia já disponível e a permissão que o consumidor dá para usá-la. Quase três em cada quatro entrevistados dizem confiar mais na recomendação de um agente de inteligência artificial do que na de um amigo, mas apenas 12% autorizariam esse mesmo agente a fechar sozinho o pagamento. É nessa margem entre confiança e autonomia que Zoop, Itaú, iFood Pago e Koin dizem concentrar o desenvolvimento de seus produtos até o fim de 2026, com o Ailo como primeiro teste em escala no mercado brasileiro.




