quinta-feira, 29 de outubro de 2026 · Edição diária

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Microsoft prepara US$ 25 bi em títulos, a 1ª emissão em 9 anos, para bancar a corrida da IA

A Microsoft deve captar cerca de US$ 25 bilhões em até 10 parcelas, com vencimentos de 2 a 40 anos, segundo a Bloomberg. É a primeira venda de títulos de grau de investimento da empresa nos EUA em mais de nove anos.

Prédio da Microsoft com logotipo da empresa
A Microsoft planeja a primeira emissão de títulos de grau de investimento nos EUA em mais de nove anos. Foto: Pexels / Zulfugar Karimov

A Microsoft planeja captar cerca de US$ 25 bilhões com a venda de títulos de grau de investimento nos Estados Unidos, a primeira operação desse tipo em mais de nove anos, de acordo com uma fonte ouvida pela Reuters nesta quinta-feira (29). A informação foi divulgada antes pela Bloomberg News. O dinheiro financiaria as ambições da empresa em inteligência artificial.

Segundo a Bloomberg, a dívida seria emitida em até 10 parcelas, com vencimentos entre 2 e 40 anos. A fonte da Reuters afirmou que nenhuma decisão final foi tomada sobre o tamanho da oferta, que pode mudar conforme a demanda dos investidores. Wells Fargo, JPMorgan Chase e UBS Group conduzem a operação. UBS e Wells Fargo não quiseram comentar, e o JPMorgan não respondeu de imediato.

A Microsoft indicou à Reuters um documento enviado ao regulador que confirma a venda de títulos, mas sem informar o valor. As ações da empresa recuavam cerca de 1,2% nas negociações da tarde.

Uma empresa que ainda não queima caixa

A emissão ocorre um dia depois da teleconferência de resultados. Na quarta-feira, a diretora financeira Amy Hood disse a investidores que a companhia buscaria outras fontes de financiamento quando considerasse vantajoso, citando a necessidade de preservar fluxo de caixa e flexibilidade financeira. Após o fechamento do pregão, a Microsoft também havia divulgado uma previsão otimista de vendas de serviços de nuvem para o trimestre atual.

A empresa prevê manter fluxo de caixa livre positivo até o fim do ano fiscal, em junho de 2027. Isso a diferencia de outras grandes operadoras de nuvem, que já gastam mais do que geram para expandir data centers. Ou seja, a Microsoft recorre ao mercado de dívida sem estar, até aqui, no vermelho de caixa.

O que as rivais já mostraram ao mercado

Nos últimos 12 meses, as maiores empresas de tecnologia passaram a usar emissão de dívida e outras formas de captação para pagar a infraestrutura de IA, em vez de depender só do caixa próprio. A Alphabet queimou US$ 9,07 bilhões no terceiro trimestre, e os investidores reagiram mal. A Reuters também cita a venda de ações da Meta na semana anterior, depois de a empresa registrar sua primeira queima de caixa em mais de uma década. O texto não deixa claro quem vendeu os papéis.

O que a operação sinaliza para o mercado

Uma emissão de US$ 25 bilhões em prazos de até 40 anos coloca no mercado de crédito um volume que compradores institucionais terão de absorver, e a demanda pode alterar o tamanho final da oferta. Para o investidor, o dado a acompanhar é o preço pago pela Microsoft, que ainda não foi divulgado. Para o setor, a operação indica que mesmo a big tech com fluxo de caixa positivo passou a incluir a dívida entre as fontes de financiamento da IA.

CA

Repórter de Negócios do Real Nacional. Cobre empresas, fusões e aquisições, mercado de capitais e a economia real das companhias brasileiras. Mais textos · Expediente · Política editorial

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