A Microsoft planeja captar cerca de US$ 25 bilhões com a venda de títulos de grau de investimento nos Estados Unidos, a primeira operação desse tipo em mais de nove anos, de acordo com uma fonte ouvida pela Reuters nesta quinta-feira (29). A informação foi divulgada antes pela Bloomberg News. O dinheiro financiaria as ambições da empresa em inteligência artificial.
Segundo a Bloomberg, a dívida seria emitida em até 10 parcelas, com vencimentos entre 2 e 40 anos. A fonte da Reuters afirmou que nenhuma decisão final foi tomada sobre o tamanho da oferta, que pode mudar conforme a demanda dos investidores. Wells Fargo, JPMorgan Chase e UBS Group conduzem a operação. UBS e Wells Fargo não quiseram comentar, e o JPMorgan não respondeu de imediato.
A Microsoft indicou à Reuters um documento enviado ao regulador que confirma a venda de títulos, mas sem informar o valor. As ações da empresa recuavam cerca de 1,2% nas negociações da tarde.
Uma empresa que ainda não queima caixa
A emissão ocorre um dia depois da teleconferência de resultados. Na quarta-feira, a diretora financeira Amy Hood disse a investidores que a companhia buscaria outras fontes de financiamento quando considerasse vantajoso, citando a necessidade de preservar fluxo de caixa e flexibilidade financeira. Após o fechamento do pregão, a Microsoft também havia divulgado uma previsão otimista de vendas de serviços de nuvem para o trimestre atual.
A empresa prevê manter fluxo de caixa livre positivo até o fim do ano fiscal, em junho de 2027. Isso a diferencia de outras grandes operadoras de nuvem, que já gastam mais do que geram para expandir data centers. Ou seja, a Microsoft recorre ao mercado de dívida sem estar, até aqui, no vermelho de caixa.
O que as rivais já mostraram ao mercado
Nos últimos 12 meses, as maiores empresas de tecnologia passaram a usar emissão de dívida e outras formas de captação para pagar a infraestrutura de IA, em vez de depender só do caixa próprio. A Alphabet queimou US$ 9,07 bilhões no terceiro trimestre, e os investidores reagiram mal. A Reuters também cita a venda de ações da Meta na semana anterior, depois de a empresa registrar sua primeira queima de caixa em mais de uma década. O texto não deixa claro quem vendeu os papéis.
O que a operação sinaliza para o mercado
Uma emissão de US$ 25 bilhões em prazos de até 40 anos coloca no mercado de crédito um volume que compradores institucionais terão de absorver, e a demanda pode alterar o tamanho final da oferta. Para o investidor, o dado a acompanhar é o preço pago pela Microsoft, que ainda não foi divulgado. Para o setor, a operação indica que mesmo a big tech com fluxo de caixa positivo passou a incluir a dívida entre as fontes de financiamento da IA.



