segunda-feira, 5 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Anthropic mira IPO de US$ 100 bi em novembro e avaliação de US$ 2 tri, acima da SpaceX

Segundo a Reuters, a Anthropic pode levantar até US$ 100 bilhões e ser avaliada em cerca de US$ 2 trilhões, apesar do prejuízo de US$ 42 bilhões em 2025.

Fachada da Bolsa de Valores de Nova York, em Wall Street
Wall Street se prepara para a oferta pública inicial da Anthropic, esperada para novembro, segundo a Reuters. Foto: TechCrunch / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Wall Street se prepara para a oferta pública inicial da Anthropic, esperada para novembro, de acordo com reportagem da Reuters publicada pela CNN Brasil nesta segunda-feira (5). A operação pode levantar até US$ 100 bilhões e avaliar a criadora do Claude em cerca de US$ 2 trilhões, o que a colocaria entre as dez empresas mais valiosas do mundo.

A Anthropic protocolou em junho um pedido confidencial de abertura de capital. Se o valor se confirmar, o IPO superaria o da SpaceX, que captou cerca de US$ 86 bilhões com avaliação de US$ 1,77 trilhão. A Saudi Aramco, que levantou aproximadamente US$ 29 bilhões em 2019, fica bem atrás nessa comparação.

Prejuízo bilionário e gasto em computação

Os números da empresa são pesados. A Anthropic registrou prejuízo de US$ 42 bilhões em 2025 e planeja gastar mais de US$ 500 bilhões em infraestrutura de computação nos próximos anos, segundo a reportagem. A receita vem principalmente do aluguel dos modelos Claude a grandes empresas.

A Reuters também registra que a companhia seria lucrativa pelo segundo trimestre seguido em 2026, informação que a agência trata como reportada, sem confirmação oficial no texto.

Risco existencial no prospecto

O prospecto confidencial, obtido pela Reuters, traz um alerta incomum em documentos de oferta: o modelo de IA da empresa poderia causar risco catastrófico ou existencial para a humanidade. O CEO, Dario Amodei, e ex-funcionários levantaram preocupações de segurança nas últimas semanas. Líderes do setor, incluindo Amodei, assinaram um acordo na Casa Branca para autorregular o desenvolvimento de IA.

Jill Fisch, professora de direito empresarial da Universidade da Pensilvânia, disse à Reuters que não existe uma linha mágica pela qual uma empresa resolva todos os problemas de segurança, e que nenhuma companhia consegue eliminar toda a incerteza futura. Para ela, esse tipo de alerta convive com a abertura de capital.

Juros altos, guerra no Irã e IPOs adiados

O ambiente de mercado não é simples. Heath Terry, chefe de pesquisa de investimentos em IA do Citi, citou juros em alta, a guerra no Irã e uma economia mais instável. Oura, Holtec Nuclear e OpenAI suspenderam suas ofertas, de acordo com a reportagem. O Nasdaq, por outro lado, está próximo de máximas históricas, o que favorece listagens de tecnologia.

Angelo Zino, analista da CFRA Research, afirmou que deve haver apetite e demanda muito fortes pela Anthropic, citando a procura pelos produtos e o caminho até a lucratividade. Jay Ritter, professor emérito da Universidade da Flórida, disse que a SpaceX foi um caso fora da curva e que é muito possível que ela fique em segundo lugar daqui a um mês.

O que está em jogo para investidores

Para quem investe em IA, o IPO daria à Anthropic um preço de mercado público e exporia a empresa ao escrutínio trimestral sobre prejuízo, gasto com computação e riscos de segurança. A data de novembro ainda é uma expectativa, e a avaliação de US$ 2 trilhões é uma estimativa de mercado, não um valor fixado pela empresa.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.