quarta-feira, 26 de agosto de 2026 · Edição diária

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Bill Gates quer reservar até 40% dos empregos para humanos e vai propor isso a Xi Jinping

Bill Gates defende reservar até 40% dos empregos atuais para humanos, taxar empresas que trocam trabalhadores por inteligência artificial e planeja levar as propostas ao presidente chinês Xi Jinping ainda em 2026.

Bill Gates
Bill Gates, cofundador da Microsoft, em reunião no Parlamento Europeu em 2025. Foto: Philippe Buissin / European Union / Wikimedia Commons (Attribution)

Bill Gates, cofundador da Microsoft, planeja se reunir com o presidente chinês Xi Jinping ainda em 2026 para propor um conjunto de regras internacionais que limite os riscos da inteligência artificial, segundo reportagem da Reuters replicada pelo g1. Gates diz acreditar que Pequim aceitaria restringir o lançamento de modelos de IA potencialmente perigosos se os Estados Unidos dessem o primeiro passo. Na avaliação dele, isso levaria o restante do mundo a seguir o mesmo caminho.

O encontro com Xi ainda não tem data fechada, mas a equipe de Gates trabalha para viabilizá-lo, possivelmente em novembro, segundo apurou o site canadense BNN Bloomberg. Não seria a primeira vez que os dois se encontram: em 2023, Gates foi o primeiro empresário estrangeiro recebido pelo presidente chinês depois do fim das restrições da pandemia no país.

O plano: taxar quem troca humano por IA

As propostas que Gates pretende levar à mesa têm um fio condutor: fazer companhias que substituem trabalhadores por sistemas de IA pagar parte da conta da transição. Ele defende uma espécie de tributo sobre a receita gerada por empresas que usam IA no lugar de mão de obra humana, batizado por ele de 'token tax', com o dinheiro revertido para uma rede de proteção social a trabalhadores deslocados, segundo o Olhar Digital.

  • Criação de uma organização internacional para monitorar riscos da IA, nos moldes dos órgãos que fiscalizam armas nucleares, aviação civil e a camada de ozônio
  • Acompanhamento da capacidade de sistemas de IA de desenhar moléculas com potencial para viabilizar ataques biológicos
  • Reserva de até 40% dos empregos atuais para humanos, sobretudo em funções ligadas ao cuidado direto com pessoas, segundo o BNN Bloomberg

Da euforia ao alarme

O tom marca uma virada em relação ao Gates que, por anos, defendeu publicamente que a IA libertaria trabalhadores de tarefas repetitivas e aceleraria avanços em saúde e no combate às mudanças climáticas. Segundo o Olhar Digital, essa confiança diminuiu nos últimos meses, à medida que a tecnologia avançou em programação e passou a ser associada a ataques cibernéticos. A reportagem cita invasões a sites ligados a OpenAI, Anthropic e Meta como parte da mudança de percepção do bilionário.

Em publicação recente em seu blog pessoal, Gates chamou de 'a maior prioridade do mundo' garantir que o avanço da IA não amplie a desigualdade nem prejudique os mais vulneráveis, à frente, segundo ele, da mudança climática e de crises sanitárias. Ele também descartou deixar o setor de tecnologia se regular sozinho. No mesmo texto, Bill Gates, cofundador da Microsoft, escreveu:

Entre os riscos que Gates cita também estão o impacto da IA sobre crianças, hoje mais expostas a companhias virtuais movidas por IA, e o aumento de fraudes possibilitado pela tecnologia. São temas que ecoam, em versão local, no debate brasileiro sobre regulação de IA, hoje travado no Congresso em torno do PL 2338.

Sem cargo público, Gates aposta na adesão dos governos

A reunião com Xi Jinping ainda não tem data oficial, e Gates não ocupa cargo público: suas propostas só saem do papel se governos aderirem a elas. Ainda assim, o movimento reforça uma pauta que já aparece no radar de empresas e formuladores de política no Brasil, onde a discussão sobre uso responsável de IA no mercado de trabalho começa a ganhar espaço mesmo sem regulamentação federal consolidada. Para empresas que automatizam funções com IA, a proposta de taxar a substituição de mão de obra é um sinal do tipo de regulação que pode ganhar tração internacional nos próximos anos, ainda que sem previsão de chegar ao Brasil no curto prazo.

Redação Real Nacional

Equipe editorial do Real Nacional. Cobertura de inteligência artificial, política e economia com fontes públicas citadas. Fundado por Izaias Pertrelly. Expediente · Política editorial · Correções

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