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STF recebe 87 propostas de reforma do Judiciário: mandato de até 12 anos e regras para a IA

Grupo criado pelo presidente Edson Fachin recebeu 95 contribuições e publicou 87 propostas que preveem fim da vitaliciedade dos ministros e limites ao uso de inteligência artificial em decisões judiciais.

Fachada do Supremo Tribunal Federal, em Brasília
Grupo criado pelo presidente do STF, Edson Fachin, recebeu 87 propostas de reforma do Judiciário publicadas em 25 de agosto de 2026. Foto: Pexels / FILIPE COELHO

O grupo de trabalho criado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, para discutir a reforma do Judiciário recebeu 87 propostas, divulgadas nesta terça-feira (25). O material toca em pontos sensíveis para a Corte: fim da vitaliciedade dos ministros, menos espaço para decisões tomadas por um único magistrado e regras para o uso de inteligência artificial em sentenças.

Segundo o g1, chegaram 95 contribuições até o fim do prazo, em 15 de agosto, das quais 87 foram publicadas após uma triagem. O Jornal de Brasília, que teve acesso ao mesmo material, identifica entre os proponentes universidades, entidades da sociedade civil, o setor privado, o Instituto Consenso (ligado à saúde suplementar), a Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam), centros de pesquisa e associações da advocacia.

Menos poder para decidir sozinho

Parte relevante do material recebido mira o poder individual dos ministros. As propostas pedem que o STF prestigie o julgamento colegiado em vez de decisões monocráticas, com prazos para que essas decisões cheguem ao plenário. Também pedem ampliação da competência disciplinar sobre magistrados e a criação de novos mecanismos de controle e responsabilização dentro da própria Corte.

No campo da carreira, o ponto mais sensível é o fim da vitaliciedade. As sugestões recebidas propõem que os ministros passem a ter mandato fixo, de 10 a 12 anos, em vez de permanecer no cargo até a aposentadoria compulsória. Mudar essa regra exige emenda à Constituição e alteraria a forma como o Brasil renova a composição da mais alta corte do país.

Regras para IA e código de conduta

Outra frente das propostas tenta colocar freios ao uso de inteligência artificial dentro do próprio Judiciário. Segundo o Jornal de Brasília, as sugestões vão da proibição total de decisões automatizadas por IA até a exigência de supervisão humana obrigatória e a restrição da tecnologia a causas de menor valor. O pacote prevê ainda salvaguardas específicas contra erros dos sistemas (as chamadas "alucinações") e contra tentativas de manipulação por prompt injection.

O grupo propõe também um código de conduta para ministros, com quarentena antes e depois da passagem pelo cargo, regras sobre conflito de interesse, transparência da agenda pública e restrições à participação em eventos custeados por empresas ou outros atores privados. Há ainda sugestões para criar filtros de acesso à Justiça, como exigir requerimento administrativo prévio em áreas que já têm instância própria (saúde suplementar, tributária, previdenciária e consumo) e obrigar entes públicos a comprovar que o benefício econômico de uma ação supera o custo do processo.

De acordo com o Jornal de Brasília, o grupo é presidido pelo advogado e professor da USP Fernando Facury Scaff, com relatoria do desembargador Ney Bello Filho, do TRF da 1ª Região, e reúne ministros de tribunais superiores, magistrados e juristas. Pelo cronograma citado pelo veículo, o relatório final com as recomendações deve ser entregue a Fachin até o fim de 2026.

Três testes antes da reforma sair do papel

As 87 propostas ainda não são uma reforma: por ora, são material bruto que o grupo vai filtrar até o fim do ano. Um primeiro teste é saber se os próprios ministros do STF vão aceitar abrir mão de poder monocrático e de vitaliciedade. Outro é se o Congresso vai priorizar uma PEC sobre o tema às vésperas da eleição de outubro. Um terceiro é se o Judiciário vai conseguir regular o uso interno de IA antes de o Legislativo aprovar o Marco Legal da IA, hoje parado na Câmara.

Redação Real Nacional

Equipe editorial do Real Nacional. Cobertura de inteligência artificial, política e economia com fontes públicas citadas. Fundado por Izaias Pertrelly. Expediente · Política editorial · Correções

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