domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

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Brasil cria 58,5 mil vagas formais em julho, metade do que o mercado esperava

O saldo positivo do Caged ficou 49% abaixo da previsão de 114 mil vagas feita por economistas e marcou o pior resultado para julho desde 2020, segundo o Ministério do Trabalho e Emprego.

Trabalhadores em linha de produção industrial no Brasil
O Caged registrou 58,5 mil novas vagas com carteira assinada em julho, resultado 56,3% menor que o de julho de 2025. Foto: Pexels / EqualStock IN

O Brasil abriu 58.568 empregos com carteira assinada em julho, um resultado 56,3% menor que o de julho de 2025, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta sexta-feira (28) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo veio da diferença entre 2.262.888 admissões e 2.204.320 desligamentos registrados no mês.

Na comparação com junho, quando o país criou 137.044 vagas, a queda foi de 57,3%. O resultado de julho foi o mais fraco para o mês desde 2020, seis anos atrás, de acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego.

A previsão que o mercado errou

A mediana das projeções de economistas consultados pelo Broadcast apontava para a criação de 114 mil vagas em julho, quase o dobro do que o Caged confirmou. O resultado ficou 49% abaixo dessa expectativa, uma das maiores diferenças do ano entre previsão e resultado para o indicador. Leonardo Costa, economista da consultoria ASA, avalia que o número reforça a leitura de um mercado de trabalho que segue resiliente, mas perde fôlego aos poucos ao longo de 2026.

Setores que ainda contratam, e o que freia no comércio

Os serviços lideraram a criação de vagas em julho, com saldo positivo de 24.098 postos, puxado por transporte, armazenagem e correio (18.150 vagas) e por saúde humana e serviços sociais (12.235 vagas). A construção civil somou 12.691 postos, com destaque para obras de infraestrutura (7.087 vagas) e serviços especializados para construção (4.253 vagas).

A agropecuária abriu 12.523 vagas e a indústria, 11.315. Na direção oposta, o comércio fechou julho com saldo negativo de 8.114 postos, o único dos grandes setores a demitir mais do que contratar no mês, segundo o Caged.

Quem sente a desaceleração no fim do ano

No acumulado de janeiro a julho, o Brasil criou 972.203 empregos formais, uma queda de 20,9% frente aos 1.229.107 registrados no mesmo período de 2025. Em 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026, o saldo somou 880.717 postos com carteira assinada, alta de 1,87% no período. O estoque total de trabalhadores formais chegou a 48.082.866 pessoas ao fim de julho, alta de 0,12% em relação a junho e de 1,02% na comparação com julho do ano passado.

O resultado de julho aprofunda uma trajetória de desaceleração que já reduz o saldo acumulado do ano em cerca de um quinto na comparação com 2025. Para quem procura emprego, um ritmo mais lento de abertura de vagas líquidas gera mais concorrência por cada posto disponível no mercado formal. Para as empresas, o número reforça a leitura de economistas de que o mercado de trabalho segue positivo, mas caminha para um fechamento de ano com saldo bem menor do que o registrado em 2025. Setores como comércio e serviços, que respondem por parcela relevante das contratações no varejo de fim de ano, serão o termômetro mais imediato dessa trajetória nos próximos boletins do Caged.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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