domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Durigan promete repetir Carbono Oculto a cada dois meses com IA

No Macro Day do BTG, o ministro da Fazenda anuncia sistema da Receita treinado na operação. Folha e Valor registram a promessa de superávits crescentes a partir de 2027.

Dario Durigan
O ministro da Fazenda, Dario Durigan. Foto: Diogo Zacarias / Wikimedia Commons (Public domain)

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta segunda-feira (31) que a Receita Federal treinou um sistema de inteligência artificial com dados da Operação Carbono Oculto para repetir ofensivas contra lavagem de dinheiro a cada 2 meses. A declaração foi dada no Macro Day, evento do BTG Pactual em São Paulo, e foi registrada pelo g1, pela Folha e pelo Valor.

Segundo o g1, a tecnologia cruza dados de fundos de investimento com setores considerados vulneráveis, como o de combustíveis, para apontar movimentações incompatíveis com o perfil dos investimentos e estruturas usadas para ocultar patrimônio. A operação original, há 1 ano, foi conduzida pela Receita com a Polícia Federal, o Ministério Público, a PGFN e a Secretaria da Fazenda paulista.

"Nós conseguimos botar de pé um sistema de inteligência artificial que vai usar essas informações olhando para os fundos do país, olhando para o mercado de postos de combustível e outros em que a gente vai conseguir otimizar e fazer uma Carbono Oculto a cada dois meses no país, se a gente tiver o compromisso político de avançar contra o crime organizado, em especial a lavagem de dinheiro no andar de cima", disse Durigan, segundo o g1.

Como parte das ações do primeiro aniversário da operação, a Receita cancelou na sexta-feira (28) CNPJs ligados a contas consideradas comprometidas, o que impede a emissão de notas fiscais. O g1 fala em cerca de mil cancelamentos. A Folha registra 1.400 CNPJs cancelados em São Paulo no mesmo dia.

Superávit a partir de 2027 e juros

No mesmo painel, em conversa com Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG, Durigan afirmou que o Brasil deverá registrar superávits primários crescentes e recorrentes a partir de 2027. O Valor registra que o governo calcula sair de um déficit efetivo de 0,4% do PIB em 2026 para um resultado positivo pouco superior a 0,1% no ano que vem, com meta formal de 0,5% do PIB no PLDO.

"O desafio de agora é reduzir taxa de juros, ter juros civilizados. Vamos adotar as medidas necessárias para atingir isso, com amplo debate", disse o ministro, segundo o Valor. Durigan defendeu reforçar o arcabouço fiscal sem trocar a regra, fazer o gasto obrigatório crescer menos que o teto e manter a revisão de 10% dos benefícios tributários infraconstitucionais. A Folha registra um universo de cerca de R$ 200 bilhões nesses benefícios, com potencial de cerca de R$ 20 bilhões na revisão deste ano.

O g1 registra ainda que a Fazenda quer rever normas do mercado financeiro e da recuperação judicial depois dos casos Banco Master e REAG. Durigan citou o secretário de Reforma Econômica, Regis Dudena, e falou em reduzir abusos, dar mais segurança ao credor e diminuir o custo do crédito, "sem controle de capital".

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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