sexta-feira, 30 de outubro de 2026 · Edição diária

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Paulo Figueiredo culpa o ChatGPT por Flávio se declarar presidente eleito, e ninguém confirma

Aliado diz que a IA incluiu uma versão antiga do texto e um brasão desatualizado na carta em que Flávio, derrotado por mais de 4 milhões de votos, se apresentou como presidente eleito. A explicação vem só de Figueiredo.

Tela de celular com um assistente de inteligência artificial aberto
Paulo Figueiredo atribui ao ChatGPT os erros da carta divulgada por Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. Foto: Gobierno argentino / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O influenciador Paulo Figueiredo, que atua como porta-voz não oficial da família Bolsonaro nos Estados Unidos, atribuiu ao ChatGPT o trecho em que o senador Flávio Bolsonaro (PL) se declarava presidente eleito do Brasil, segundo reportagem da Reuters publicada pelo Money Times nesta sexta-feira (30). A explicação, dada na quinta-feira (29), é um fato novo em relação ao que já se sabia: o recuo de Flávio, que trocou o termo por "líder do Brasil", ganhou uma justificativa tecnológica que ninguém além de Figueiredo confirmou.

Flávio publicou a carta com a expressão "presidente eleito do Brasil". Cerca de uma hora depois, apagou a versão e colocou outra no lugar, com "líder do Brasil". Figueiredo foi o primeiro a enviar o texto a jornalistas.

O que Figueiredo diz que o ChatGPT fez

De acordo com Figueiredo, a carta passou por várias versões preliminares e recebeu contribuições de diferentes pessoas. Ele afirmou que Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado, usou o ChatGPT para finalizar o documento. Nesse passo, o chatbot teria incluído uma versão anterior do texto, escreveu Figueiredo na rede X.

A ferramenta também teria inserido uma versão desatualizada do brasão nacional, com o nome do país grafado com "Z". Os erros só teriam sido percebidos depois que a carta já estava com a imprensa. Figueiredo disse que o grupo achou a troca do brasão muito engraçada.

Sobre a mudança de "presidente eleito" para "líder", ele afirmou que Flávio optou pelo segundo termo por razões jurídicas e morais, e que os envolvidos trataram o ajuste como algo sem importância. A OpenAI e a assessoria do senador não responderam aos pedidos de comentário da Reuters.

O que a explicação não resolve

A reportagem não traz verificação independente do papel do ChatGPT. A versão depende inteiramente da palavra de Figueiredo, e não há registro público do histórico de conversas com a ferramenta. Um erro de brasão, o que a IA teria feito segundo o relato, não explica por que um texto que se apresenta como "presidente eleito" circulava entre os redatores.

O contexto político pesa sobre essa explicação. Flávio perdeu o segundo turno para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por mais de 4 milhões de votos e declarou, sem apresentar provas, que a eleição teve fraudes. A vitória de Lula foi reconhecida pelo Tribunal Superior Eleitoral, por líderes estrangeiros, por observadores internacionais e pelo próprio PL. Figueiredo disse que Flávio não reconhece o resultado e seguirá lutando para restaurar a democracia no país.

Um senador cada vez mais isolado

Flávio chegou a Miami na quarta-feira (28), depois de deixar o Brasil. Antes disso, havia se recusado a cumprir uma ordem do Supremo Tribunal Federal para entregar os passaportes, no âmbito de uma investigação sobre suposta lavagem de dinheiro, que ele nega.

Segundo a Reuters, a posição do senador não recebeu apoio de figuras importantes do próprio campo político. Na prática, o episódio da carta deixa Flávio sem aliados que endossem a tese de fraude e com uma justificativa que, por ora, só um interlocutor sustenta. Quem avalia se a carta configura algum ilícito é a Justiça, e não o chatbot citado como autor do erro.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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