quarta-feira, 28 de outubro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Flávio se diz presidente eleito, depois recua para líder do Brasil em carta golpista de Miami

Horas depois de desembarcar em Miami, o senador Flávio Bolsonaro distribuiu duas versões de uma carta de tom golpista com acusações de fraude sem provas. Na primeira, ele se chamava de presidente eleito do Brasil; na segunda, trocou o termo para líder do Brasil, três dias após perder a eleição para Lula por 51,79% a 48,21%.

Flávio Bolsonaro discursando
Flávio Bolsonaro divulgou carta com teor golpista horas depois de desembarcar em Miami, nos Estados Unidos, nesta quarta-feira (28). Foto: Gobierno argentino / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) divulgou nesta quarta-feira (28) duas versões de uma carta com teor golpista, horas depois de desembarcar em Miami, nos Estados Unidos. O texto veio a público três dias depois de ele perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que venceu com 51,79% dos votos contra 48,21% do senador, segundo apuração da InfoMoney e do jornal O Globo.

A primeira versão da carta, repassada por aliados do senador, trazia a autodeclaração "presidente eleito do Brasil". Horas depois, uma segunda versão do mesmo texto circulou com a frase trocada para "líder do Brasil", mantendo as demais acusações sobre o resultado da eleição, de acordo com o Globo e a Folha de S.Paulo. A autodeclaração golpista contrasta com a posição oficial do PL, partido do senador, que já havia reconhecido a vitória de Lula nas urnas e migrado a estratégia jurídica para uma ação que tenta cassar a chapa adversária.

A alegação de fraude sem provas

Na carta, Flávio afirmou ter visto uma fraude se consumar na noite da votação, sem apresentar provas da acusação. A diferença de 3,58 pontos percentuais confirmou a vitória de Lula para um quarto mandato à frente do Executivo federal.

O texto também questiona a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, de prorrogar o horário de votação no segundo turno, segundo a InfoMoney.

A rota que driblou a proibição de Moraes

Flávio atravessou a fronteira terrestre com a Argentina acompanhado da mulher e das duas filhas, embarcou em um avião particular com escala no Equador e desembarcou em Miami. A viagem contrariou a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que havia proibido a saída do senador do país, de acordo com a InfoMoney.

Na mesma carta, Flávio agradeceu o acolhimento dos presidentes Donald Trump, dos Estados Unidos, e Javier Milei, da Argentina, durante a fuga. O episódio ocorre dias depois de Trump afirmar que o processo eleitoral brasileiro "pareceu fraudado", mesma linha da acusação feita por Flávio na carta, apesar de o presidente americano ter dito gostar de Lula, reeleito com 51,79% dos votos.

O risco jurídico de desafiar o Supremo

O descumprimento direto da proibição de saída do país amplia a exposição do senador diante do Supremo Tribunal Federal, que já investiga as denúncias de fraude feitas sem provas desde o segundo turno. Ao somar a fuga à dupla autodeclaração golpista, Flávio transforma uma contestação eleitoral sem amparo legal em um episódio que Moraes pode tratar como desobediência a uma ordem judicial, com novas medidas possíveis contra o senador nos próximos dias.

Para o senador, a sequência de declarações sem provas eleva o custo político de uma eventual volta ao Brasil, caso o Supremo decida tratar a fuga como novo capítulo do processo que já o investiga.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

Leia também

O essencial de IA e poder no Brasil, toda manhã.

Uma leitura de 4 minutos com o que move Brasília, o mercado e a corrida da inteligência artificial. Sem ruído.