O Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) disseram, no Fórum de Mercados Globais da agência Reuters, nesta quinta-feira (22), que a inteligência artificial pode elevar o crescimento da economia mundial, mas vai deixar de fora os países mais pobres, as pequenas empresas e os trabalhadores mais jovens caso não haja investimento em energia, infraestrutura digital e qualificação profissional.
O alerta chega dias depois de o FMI ter divulgado outro relatório sobre o efeito da inteligência artificial no emprego em países desenvolvidos. Agora, a ênfase das duas entidades passa da discussão sobre vagas de trabalho para a diferença de ganho econômico entre economias ricas e emergentes.
Era Dabla-Norris, diretora adjunta do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, disse que o uso eficiente da inteligência artificial pode somar até 0,5 ponto percentual ao crescimento anual da economia mundial. Stefano Scarpetta, economista-chefe da OCDE, projetou um ganho de produtividade entre 0,4% e 1,2% ao ano entre os países-membros da organização.
A distância entre quem usa e quem só é afetado
Scarpetta disse que existe uma lacuna entre a exposição das empresas à inteligência artificial e o uso efetivo da tecnologia dentro delas. Para o economista, o ganho de produtividade calculado pela OCDE depende da capacidade de cada país de transformar o acesso à IA em adoção real dentro das empresas, não apenas em contato com a tecnologia.
Dabla-Norris afirmou que cerca de 40% dos postos de trabalho no mundo estão expostos à inteligência artificial e que os trabalhadores mais jovens formam o grupo mais vulnerável. Segundo ela, a automação tende a substituir as tarefas básicas que servem para treinar quem está começando a carreira, o que dificulta o ganho de experiência nos primeiros anos de trabalho.
Energia e infraestrutura decidem quem sai na frente
As duas autoridades apontaram que países em desenvolvimento, pequenas empresas e trabalhadores jovens correm risco de ficar atrás na disputa pelos ganhos da inteligência artificial, caso não recebam investimento em três frentes: acesso à energia, infraestrutura digital e qualificação profissional da mão de obra.
O Brasil está na categoria de economia em desenvolvimento citada pelo FMI e pela OCDE. O alerta das duas entidades indica que o acesso à energia e à infraestrutura digital vai pesar na conta de quem consegue captar parte do crescimento adicional que a inteligência artificial promete trazer à economia mundial.
O que falta para não ficar de fora
Segundo Dabla-Norris e Scarpetta, fechar essa distância depende de três investimentos simultâneos: energia para sustentar a infraestrutura computacional, redes digitais que deem acesso à tecnologia e programas de qualificação que preparem trabalhadores para funções que a automação não substitui.
As duas autoridades disseram que, sem esses investimentos, o ganho de produtividade projetado pelo FMI e pela OCDE tende a se concentrar nos países e nas empresas que já tinham essa estrutura antes da chegada da inteligência artificial, ampliando a distância entre quem usa a tecnologia e quem só sente seus efeitos.

