Quem anexa uma foto pessoal a um chatbot de IA para gerar uma caricatura, uma ilustração ou um retrato profissional envia o arquivo aos servidores da empresa responsável pela ferramenta, segundo reportagem publicada pelo Canaltech neste domingo (25). Depois do processamento, a imagem pode ficar guardada por um tempo, passar por sistemas de visão computacional ou ser usada para aprimorar os modelos.
O destino exato depende da plataforma e das configurações de privacidade da conta. O que não muda, de acordo com o Canaltech, é a primeira etapa: em serviços que rodam na nuvem, o arquivo precisa chegar ao servidor para ser processado.
O que a plataforma pode fazer com o arquivo
A reportagem lista sete destinos possíveis para a imagem. O primeiro é o armazenamento, usado para manter o histórico de conversas, sincronizar aparelhos ou investigar problemas de segurança, com prazo que varia por empresa. O segundo é a análise do conteúdo: rostos, objetos, roupas e textos. Algumas tecnologias de análise facial, segundo o texto, extraem características que podem servir ao reconhecimento biométrico.
Há ainda a leitura de metadados, como data, horário, modelo do aparelho e coordenadas geográficas. Em assistentes com memória, a foto pode ser associada ao histórico de conversas, ligando o rosto a preferências, hobbies e local de trabalho. Também entram na lista o uso no treinamento dos modelos, conforme a política da empresa, e a revisão humana por profissionais autorizados, que avaliam respostas e investigam incidentes de segurança.
O sétimo destino é o risco de vazamento. Uma imagem exposta pode alimentar montagens, deepfakes e fraudes. O Canaltech aponta que uniformes, crachás e placas no fundo da foto revelam onde a pessoa estuda, trabalha ou circula, e que dados de localização e rotina ajudam criminosos a preparar golpes com imagens falsas.
Onde desativar o uso da foto no treinamento
A reportagem indica o caminho em três assistentes. No ChatGPT, é preciso abrir Histórico e dados e desativar a opção Melhore o modelo para todos. No Gemini, o ajuste fica em Configurações, depois Atividade nos Apps do Gemini, e consiste em desligar Manter atividade. No Claude, a opção está em Privacidade e se chama Ajude a melhorar nossos modelos de IA.
O próprio texto faz uma ressalva: desligar o treinamento não impede o processamento. Se o serviço funciona na nuvem, a imagem continua passando pelos servidores da empresa para que a resposta seja gerada.
Cuidados antes de enviar a imagem
O Canaltech recomenda evitar fotos com documentos, dados bancários, crachás, uniformes ou qualquer informação confidencial no plano de fundo, e não compartilhar imagens íntimas. Quando possível, vale apagar os dados EXIF, que carregam os metadados do arquivo, antes do envio.
Outra orientação é limitar o acesso do aplicativo à câmera e à galeria quando esses recursos não são necessários. Para fotos de outras pessoas, a reportagem pede autorização prévia de quem aparece na imagem. A conta prática para o usuário é conferir as configurações antes de aderir à próxima trend, já que a decisão sobre treinamento fica na conta de cada pessoa, e não no aplicativo.



