A GM (General Motors) afirmou nesta quarta-feira (21) que passou a usar inteligência artificial para cortar pela metade o tempo de criar um carro, de um ciclo tradicional de quatro a cinco anos para cerca de dois anos, segundo informou a Folha. A montadora americana busca aproximar seu ritmo do que fabricantes chinesas como a BYD já praticam ao levar um veículo elétrico do desenho à concessionária em até dois anos, de acordo com reportagem da revista IEEE Spectrum.
Na prática, a IA substituiu etapas que levavam horas de trabalho humano por simulações quase instantâneas. Um teste de colisão frontal, que exigia 15 horas de cálculo, agora é simulado em menos de um minuto, disse Jason Fischer, diretor executivo de engenharia de integração virtual da GM, à IEEE Spectrum. A empresa roda cerca de 2 milhões de simulações de condução autônoma por semana, o equivalente a 100 dias de direção testados em um único dia, segundo a publicação.
Quem está por trás da mudança
O projeto é conduzido por Sterling Anderson, contratado em junho de 2025 como diretor de produtos (chief product officer) da GM. Antes, ele liderou as equipes de desenvolvimento do Autopilot e do Model X na Tesla e foi cofundador da Aurora Innovation, empresa de caminhões autônomos, de acordo com a revista Jalopnik. Anderson recebeu um pacote de remuneração avaliado em US$ 40 milhões para comandar o uso de IA no desenvolvimento de veículos, modelos autônomos, baterias e software da montadora, segundo a mesma publicação.
Para Anderson, cada geração de carro tende a ser melhor que a anterior, e encurtar o ciclo de desenvolvimento permite repetir essa evolução mais vezes dentro do mesmo período, afirmou o executivo à Jalopnik. O Hummer EV, da GMC, foi o primeiro modelo a sair do novo processo: passou do design inicial ao showroom em dois anos, ante os quatro a cinco anos usuais da indústria.
Primeiro carro a nascer dentro do sistema
O Chevrolet Silverado 1500 de 2027 será o primeiro veículo da GM concebido inteiramente dentro do novo fluxo de design apoiado por IA, segundo a Jalopnik. No motor V8 do caminhão, milhares de simulações de câmaras de combustão permitiram reduzir o custo de desenvolvimento em 20% e cumprir metas de engenharia em um terço do tempo original, de acordo com a publicação.
A pressa tem motivo financeiro: o preço médio de um carro novo nos Estados Unidos já passa de US$ 50 mil, segundo a Jalopnik. Encurtar o tempo entre o desenho e a fábrica é a aposta da GM para conter custos enquanto enfrenta fabricantes chinesas que avançam no ritmo de lançamento de carros, tema que a Axios também noticiou na mesma semana.
Quem paga se a pressa sair cara
A Jalopnik aponta que velocidade de design não garante qualidade: a GM já enfrentou recalls e processos judiciais em outros programas, e a Ford tentou uma estratégia parecida de desenvolvimento acelerado com IA sem o mesmo sucesso. Se as simulações não capturarem falhas que só aparecem em testes físicos ou no uso real, o custo de um recall em escala pode superar a economia obtida no desenvolvimento.
Por ora, a GM diz que o novo processo permite encontrar defeitos mais cedo, antes da construção do primeiro protótipo físico, o que reduziria o risco em vez de aumentá-lo, segundo Fischer. O teste decisivo só vai aparecer quando o Silverado 1500 de 2027 e os próximos modelos saídos do sistema chegarem às ruas e enfrentarem o uso diário dos consumidores.

