A Oracle disse nesta quarta-feira (28), durante o Investor Day realizado na conferência Oracle AI World, que vai limitar a captação de novos recursos para financiar sua expansão em inteligência artificial a US$ 20 bilhões até o ano fiscal de 2030, segundo a InfoMoney. O anúncio, feito pela diretora financeira Hilary Maxson junto com os co-CEOs Clay Magouryk e Mike Sicilia, tenta conter o temor de investidores sobre o nível de endividamento usado para erguer data centers.
O limite de US$ 20 bilhões exclui o refinanciamento de dívida já existente e deve ser dividido meio a meio entre capital próprio e dívida bruta, de acordo com a empresa. A Oracle também disse que o pico dos investimentos em infraestrutura de IA deve ocorrer nos anos fiscais de 2027 e 2028, período em que os gastos de capital devem permanecer elevados antes de começar a recuar.
Quando o caixa volta a fechar no azul
A companhia afirmou que o fluxo de caixa livre deve retornar ao terreno positivo no segundo semestre do ano fiscal de 2028 e superar US$ 30 bilhões no ano fiscal de 2029. A partir desse ano, segundo a Oracle, o crescimento passa a ser autofinanciado, sem depender de novas captações externas para sustentar a expansão dos data centers.
A dívida líquida da empresa deve cair para menos de 3,5 vezes o lucro operacional ajustado até o ano fiscal de 2029, de acordo com as projeções apresentadas aos investidores. Em 31 de agosto, a Oracle somava US$ 125,34 bilhões em dívidas e empréstimos, contra US$ 36,37 bilhões em caixa disponível.
Por que o mercado estava desconfiado
Investidores vinham questionando se a expansão agressiva da Oracle em data centers dependia demais de endividamento, em um momento em que outras empresas de tecnologia também ampliam dívida para financiar a corrida por capacidade computacional de IA. Depois do anúncio do teto de captação, as ações da Oracle subiram mais de 12%, movimento que também impulsionou papéis de outras empresas do setor, segundo a InfoMoney.
Maxson disse aos investidores que os US$ 20 bilhões adicionais representam o valor final necessário para financiar o ciclo atual de expansão da companhia, de acordo com a reportagem.
O que a Oracle promete entregar até 2030
Para o ano fiscal de 2030, a empresa projeta receita superior a US$ 225 bilhões, margem operacional acima de 40% e lucro ajustado por ação superior a US$ 21. As metas tentam convencer o mercado de que o atual ciclo de gastos com inteligência artificial tem prazo para terminar e resultado financeiro a entregar, mesmo com o volume de dívida acumulado nos últimos trimestres para sustentar a corrida por data centers.



