O candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) rebateu nesta segunda-feira (31) a versão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e da Secretaria de Segurança Pública sobre a abordagem ao seu motorista. Em coletiva, Haddad apresentou perícia contratada pela campanha segundo a qual uma viatura da Polícia Militar ficou cerca de 20 minutos em frente ao hotel onde o condutor se abrigou, conforme O Globo e o Poder360.
Tarcísio afirmou em 17 de agosto que a PM analisou dezenas de câmeras e não achou indícios de perseguição, e que as imagens mostravam a viatura passando sem parar. Haddad disse que a perícia, feita sobre material do inquérito policial, desmente essa narrativa. "A notícia dada de que a viatura não parou na frente do hotel está completamente desmentida", afirmou o petista, segundo o Poder360.
Três viaturas e hotel na Vila Mariana
De acordo com Haddad, três viaturas entraram no episódio da noite de 11 de agosto. A primeira se aproximou do carro quando o candidato chegava em casa, na zona sul da capital. A segunda cruzou com o motorista na avenida 23 de Maio. A terceira apareceu em frente ao hotel na região da Vila Mariana, onde o condutor buscou abrigo após relatar ter sido seguido, registram O Globo e o Poder360.
O advogado Thiago Rocha, que representa Haddad e o motorista, disse ao O Globo que a perícia aponta a parada da viatura em ponto cego das câmeras do hotel. Uma das imagens mostra policial a pé na via. Os peritos afirmam que não haveria razão para o agente estar a pé se o veículo apenas tivesse passado em trânsito.
Procuradoria arquiva no eleitoral, inquérito segue
A Procuradoria Regional Eleitoral arquivou em 27 de agosto a representação na seara eleitoral, por não ver indícios de irregularidade eleitoral. No mesmo documento, o procurador Paulo Taubemblatt escreveu que é "inverossímil" a tese de mera coincidência no patrulhamento, diante de contatos sucessivos de guarnições da Força Tática com o mesmo Ford Fusion em intervalo curto, segundo O Globo e o Estadão.
O Estadão registra que a SSP mantém a linha de que nenhuma viatura acompanhou a chegada do Fusion ao hotel e que horários de prefixos da Força Tática tornariam fisicamente impossível parte do relato. O Globo informa que procurou a pasta e aguardava posicionamento. O caso segue em inquérito policial.
Haddad disse que, desde o início, não acusou ninguém e pediu esclarecimento e eventual correção de procedimento. O petista citou o parecer do procurador eleitoral e afirmou que as câmeras relevantes estão no inquérito, não nas dezenas destacadas pelo governador.



