domingo, 6 de setembro de 2026 · Edição diária

Inteligência artificial · Política · Poder econômico

Vagas com inteligência artificial saltam 142% no Brasil, emprego geral cresce só 1,2%

Levantamento da Infojobs mostra que as vagas com menção à inteligência artificial saltaram de 584 para 1.418 no primeiro semestre, enquanto o total de oportunidades na plataforma cresceu apenas 1,2% no mesmo período.

Pessoa em entrevista de emprego usando notebook em escritório
Vagas que citam inteligência artificial cresceram 142,8% no primeiro semestre de 2026 no Brasil, segundo a Infojobs. Foto: Pexels / Edmond Dantès

Vagas de emprego no Brasil que citam inteligência artificial no próprio anúncio cresceram 142,8% no primeiro semestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Infojobs divulgado em 21 de agosto. A plataforma, que pertence ao grupo espanhol Redarbor, registrou 1.418 vagas com referência à tecnologia entre janeiro e junho deste ano, ante 584 no mesmo intervalo de 2025.

O salto acontece num mercado de trabalho praticamente parado. O total de vagas publicadas na Infojobs avançou 1,2% no mesmo período, de 383.829 para 388.378 oportunidades. Com isso, a fatia de anúncios que citam inteligência artificial no total de vagas ativas passou de 0,15% para 0,37%, mais que o dobro em um ano.

De ferramenta de triagem a exigência no anúncio

Até pouco tempo, a inteligência artificial aparecia no processo seletivo sobretudo como recurso das próprias empresas: um software para triar currículos e acelerar etapas de recrutamento, sem que o candidato precisasse saber operar a tecnologia. Os dados da Infojobs apontam outra frente em expansão: a citação da inteligência artificial dentro do texto da vaga, como competência esperada de quem vai ocupar o cargo, independentemente do setor anunciado.

Hosana Azevedo, gerente de recursos humanos da Redarbor Brasil, dona da Infojobs, disse que o mercado passa a valorizar profissionais capazes de incorporar a inteligência artificial à rotina de trabalho, qualquer que seja a área de atuação. Para ela, esse movimento altera o critério que as equipes de recrutamento usam para avaliar quem se candidata.

A afirmação de Azevedo ajuda a explicar por que mencionar a tecnologia no currículo tende a não bastar mais como diferencial. Empresas que já colocam o termo inteligência artificial no anúncio da vaga tendem a cobrar, na entrevista, aplicação prática da ferramenta na rotina da função, além do domínio do vocabulário do setor.

Quem sente a régua mudar primeiro

Quem procura emprego passa a disputar um critério ainda raro, presente em 0,37% dos anúncios ativos na Infojobs, mas que dobrou de tamanho em doze meses. A velocidade do crescimento indica que empresas de setores variados, e não só companhias de tecnologia, começam a colocar a inteligência artificial como exigência explícita na descrição do cargo.

Do lado das empresas, o levantamento aponta um efeito prático imediato: quem escreve o anúncio de vaga precisa definir com clareza o que conta como conhecimento de inteligência artificial dentro daquela função. O objetivo é não filtrar candidatos qualificados nem aprovar quem apenas cita a tecnologia no currículo sem aplicá-la no trabalho.

AD

Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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