O Itaú Unibanco anunciou nesta segunda-feira (26) a compra de 100% das ações da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial fundacional, por R$ 2,925 bilhões, segundo o Money Times. O banco pagará uma parcela no fechamento e o restante ao longo de cinco anos, sujeito a determinadas condições.
O fechamento depende de aprovação do Cade e do Banco Central. A reportagem não encontrou prazo previsto para a conclusão nem detalhes sobre as condições que podem alterar as parcelas futuras.
Uma parceria que virou controle
Banco e startup trabalham juntos há quase dois anos. Em janeiro de 2025, o Itaú liderou uma rodada de US$ 18 milhões (cerca de R$ 105,7 milhões na época) e ficou com 15% da NeoSpace, de acordo com o InfoMoney. O valor que o banco pagou por essa fatia não foi divulgado. Entre os participantes da rodada estavam Micky Malta, da Ribbit, e Martin Escobari, da General Atlantic.
Na ocasião, as duas empresas também fecharam um acordo comercial. O Itaú passaria a usar os modelos-base da startup e a desenvolver produtos exclusivos para suas plataformas digitais de varejo. A NeoSpace foi fundada por Bruno Pierobon, Felipe Almeida e Gustavo Debs e tinha cerca de um ano de existência quando recebeu o aporte.
Agora, o banco compra o restante. Pierobon continuará como CEO, e a NeoSpace manterá gestão e operação autônomas, com a equipe preservada e as atividades de pesquisa e desenvolvimento em andamento.
O que o banco quer fazer com a tecnologia
A NeoSpace desenvolve modelos de IA fundacional, treinados para identificar padrões e relações complexas em grandes volumes de dados. No caso do Itaú, os modelos são treinados com informações do próprio banco. Segundo o comunicado, as aplicações já em uso ou previstas incluem crédito, gestão de relacionamento com clientes e prevenção a fraudes. A tecnologia também deve alimentar o ia.i, plataforma de IA generativa do banco.
O presidente do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, disse que o Brasil já mostrou capacidade de criar referências internacionais em inovação bancária. Sobre a ambição da operação, afirmou:
Quem paga a conta e o que falta definir
O preço de R$ 2,925 bilhões equivale a quase 28 vezes a rodada de janeiro de 2025, que deu ao banco os primeiros 15%. O parcelamento em cinco anos, com pagamentos condicionados, reduz o desembolso imediato e dá ao Itaú um instrumento para atrelar parte do preço ao desempenho da startup, embora as condições não tenham sido detalhadas.
Para o mercado, o ponto a acompanhar é a análise do Cade e do Banco Central. Os dois órgãos vão avaliar uma compra que leva para dentro do maior banco privado do país a empresa que já fornecia os modelos usados em crédito e antifraude. As concorrentes do banco não terão acesso à mesma tecnologia.



