segunda-feira, 26 de outubro de 2026 · Edição diária

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JP Morgan tira o real e os títulos públicos do 'overweight' um dia após a reeleição de Lula

O banco cortou a recomendação de 'overweight' para 'marketweight' e prevê 'reavaliação significativa' dos ativos brasileiros na abertura desta segunda-feira (26), com circuit breakers prováveis.

Painel de cotações de um mercado financeiro
O JP Morgan rebaixou real e títulos públicos brasileiros após a vitória de Lula no segundo turno, no domingo (25). Foto: Pexels / Rafael Minguet Delgado

O JP Morgan rebaixou nesta segunda-feira (26) a recomendação para o real e para os títulos públicos brasileiros, de "overweight" para "marketweight", um dia depois da vitória de Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. A informação é da Reuters, publicada pela CNN Brasil, e foi confirmada pelo Metrópoles.

Na prática, o banco deixa de sugerir uma exposição acima da média do mercado a esses ativos e passa a recomendar posição neutra, alinhada ao índice de referência. A análise é assinada por Vinicius Moreira e equipe.

Por que o banco mudou de posição

Segundo a Reuters, os analistas trataram o resultado como inesperado, porque o mercado havia precificado outro desfecho para a eleição. Lula conquistou o quarto mandato, e a recomendação anterior, mais favorável ao real e aos títulos, partia de uma expectativa diferente.

O banco prevê uma "reavaliação significativa" dos ativos brasileiros quando os negócios forem retomados nesta segunda. A equipe também considera provável o acionamento dos mecanismos de interrupção de negociação (circuit breakers) e espera que pelo menos parte deles ocorra.

O que cada setor deve sentir

De acordo com o JP Morgan, os setores cíclicos domésticos, mais dependentes da atividade interna, devem sofrer forte queda. As exportadoras, ao contrário, tendem a ter desempenho superior, beneficiadas pela desvalorização do real.

Os analistas listaram três pontos de acompanhamento: a postura da oposição, já que Flávio Bolsonaro não reconheceu o resultado; a composição do novo governo; e a reação do mercado, em especial como as variações de preços e de expectativas afetam as perspectivas de política pública.

Quem sente o rebaixamento primeiro

Quem tem carteira concentrada em empresas voltadas ao consumo e à atividade doméstica é o alvo mais direto do alerta do banco. Já os papéis de exportadoras aparecem, na avaliação do JP Morgan, como o lado protegido pelo câmbio mais fraco.

As reportagens não trazem cotações, taxas de juros nem projeções numéricas do banco. O indicador a observar é a abertura de hoje: se os circuit breakers previstos pelo JP Morgan forem acionados, a revisão de preços que o banco antecipa começa a aparecer nos números já nesta segunda-feira.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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