O mercado financeiro se prepara para uma segunda-feira de queda na bolsa, alta do dólar e abertura de juros longos depois da reeleição de Lula, segundo reportagem da NeoFeed publicada nesta segunda-feira (26). Lula obteve pouco mais de 64,24 milhões de votos no segundo turno e venceu Flávio Bolsonaro (PL) por mais de 4,4 milhões.
A expectativa de gestores ouvidos pela publicação é de reação negativa, em parte porque o resultado não era o mais precificado. Camilo Marcantonio, sócio fundador e diretor de investimentos da Charles River Capital, afirmou que Lula não era o favorito, pelo menos nos mercados preditivos.
O que já estava no preço antes da urna
O movimento de outubro ajuda a medir o tamanho do ajuste possível. De acordo com levantamento da Elos Ayta citado pela NeoFeed, o valor de mercado das empresas listadas subiu R$ 515 bilhões nos primeiros 13 pregões do mês, alta de 10,02%, a quarta maior para um mês desde 2020.
O dólar fechou a sexta-feira (23) em queda de 1,04%, a R$ 4,99. Em 5 de outubro, primeiro pregão depois do primeiro turno, os juros futuros de prazo longo recuaram mais de 130 pontos-base. Marcantonio espera que esses juros devolvam ao menos parte desse movimento.
Dólar entre R$ 5,10 e R$ 5,30
As projeções para o câmbio variam. Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, considera justo um dólar a R$ 5,30 já nos primeiros dias após a votação e avalia que isso seria um grande susto para o mercado. Marcelo Mello, presidente da SulAmérica Investimentos, trabalha com uma faixa de R$ 5,10 a R$ 5,20 no curto prazo, e disse que o preço vai depender de como o mercado interpretar a mensagem do presidente eleito.
Em relação ao fechamento de sexta-feira, a faixa de Mello representa alta de cerca de 2% a 4%, e a de Rostelato, de aproximadamente 6%. A conta é do Real Nacional a partir dos números da reportagem.
Luis Otavio Leal, economista-chefe do G5, afirmou que o Brasil integra o grupo de países que enfrentam uma oferta reduzida de capital no mundo. Ele espera condições de financiamento mais apertadas para emergentes como o Brasil.
Proteção na carteira e o temor do circuit breaker
Marcantonio contou que comprou opções de venda (puts) com valor nocional equivalente a 30% do patrimônio do fundo, sem abandonar a posição comprada em ações. Concentrou a carteira em papéis líquidos, sobretudo elétricas e distribuidoras de energia, e evitou consumo, varejo, saúde e educação. Segundo ele, prefere se posicionar para o desfecho em que acredita e comprar bastante proteção.
Um investidor em ações, que pediu para não ser identificado, disse à NeoFeed que o primeiro circuit breaker, que ocorre com queda de 10%, é fácil de acontecer na segunda-feira. A reportagem registra que a fonte admite uma queda de até 20% no índice da B3. É uma aposta individual, sem consenso entre os ouvidos.
Quem sente primeiro
Para o investidor de varejo, o efeito mais imediato aparece na marcação a mercado de fundos de renda fixa de prazo longo e de ações, que estão no centro das apostas de reversão. Para empresas com dívida em dólar ou importação de insumos, a faixa de R$ 5,10 a R$ 5,30 encarece o custo já na primeira semana. O primeiro teste vem na abertura do pregão, quando será possível comparar as projeções com os preços reais.



