Reeleito no segundo turno sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou em seu primeiro discurso, na noite de domingo (25), que o quarto mandato terá confronto mais direto com as big techs, segundo o NeoFeed. A fala veio depois de uma campanha marcada por suspeitas de que a Meta, dona de WhatsApp, Instagram e Facebook, teria favorecido o adversário.
Lula afirmou que a eleição exigiu derrotar uma interferência externa exercida por plataformas digitais, que na avaliação dele precisam ser reguladas. Disse também que o crime digital deve ser tratado como o crime no mundo físico. Sobre a carga tributária, criticou empresas gigantes que ganham milhões e bilhões e, segundo ele, não pagam nem um imposto ao país.
O projeto que regula as plataformas está parado na Câmara
O governo enviou ao Congresso em setembro de 2025 um projeto para regular as big techs. A relatoria está com o deputado Aliel Machado (PV-PR), e a Câmara aprovou o texto em regime de urgência em março de 2026, de acordo com o NeoFeed. A proposta cria uma superintendência especial no Cade para mercados digitais.
O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad era o principal defensor da medida. Com o calendário eleitoral, a discussão foi adiada, e o tema volta à mesa em um Congresso em que Lula mesmo reconheceu a grande presença de parlamentares de oposição.
IA nacional e data centers entram na agenda econômica
No capítulo econômico, Lula prometeu investimento em economia digital, verde e criativa e disse que vai investir em data centers. O Congresso aprovou recentemente a lei do Redata, que dá incentivos tributários a esse tipo de infraestrutura, mas a norma ainda depende de regulamentação que não foi publicada, segundo o NeoFeed.
O presidente afirmou que não quer ficar dependente de inteligência artificial chinesa e americana e que o Brasil deve criar a sua. Ao lado do ex-ministro da Educação Camilo Santana, defendeu mais ensino de matemática e engenharia. Prometeu ainda universalizar a escola em tempo integral até o ensino médio e estender o Pé de Meia ao ensino médio e às universidades.
Comunicação digital e recado ao empresariado
Lula disse que o governo terá, a partir de 2027, uma política de comunicação digital mais assertiva. Segundo o NeoFeed, ele quer manter o canal de WhatsApp conhecido como Exército do Lula, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG).
Ao mesmo tempo, o presidente prometeu governar para todos os brasileiros, inclusive os que não votaram nele, e anunciou reuniões com empresários, educadores, cientistas e mulheres. O NeoFeed registra que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de bom trânsito entre empresários, é cotado para o Ministério da Fazenda.
O que depende de regulamentação e votos
Na prática, as promessas esbarram em dois pontos concretos. O projeto das big techs precisa avançar no Senado e no restante da tramitação, e o Redata só passa a valer para investidores quando o governo regulamentar a lei. A posse do novo mandato está marcada para 5 de janeiro de 2027, segundo o g1.



