segunda-feira, 26 de outubro de 2026 · Edição diária

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Lula reeleito promete IA brasileira e embate com big techs que 'não pagam um imposto' no país

No primeiro discurso após vencer Flávio Bolsonaro no segundo turno, Lula disse que o país precisou derrotar a interferência de plataformas, prometeu investir em data centers e quer criar uma IA nacional em vez de depender da chinesa ou da americana.

Luiz Inácio Lula da Silva durante discurso
Lula discursou após ser reeleito no segundo turno das eleições de 2026, na noite de domingo (25). Foto: Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Reeleito no segundo turno sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou em seu primeiro discurso, na noite de domingo (25), que o quarto mandato terá confronto mais direto com as big techs, segundo o NeoFeed. A fala veio depois de uma campanha marcada por suspeitas de que a Meta, dona de WhatsApp, Instagram e Facebook, teria favorecido o adversário.

Lula afirmou que a eleição exigiu derrotar uma interferência externa exercida por plataformas digitais, que na avaliação dele precisam ser reguladas. Disse também que o crime digital deve ser tratado como o crime no mundo físico. Sobre a carga tributária, criticou empresas gigantes que ganham milhões e bilhões e, segundo ele, não pagam nem um imposto ao país.

O projeto que regula as plataformas está parado na Câmara

O governo enviou ao Congresso em setembro de 2025 um projeto para regular as big techs. A relatoria está com o deputado Aliel Machado (PV-PR), e a Câmara aprovou o texto em regime de urgência em março de 2026, de acordo com o NeoFeed. A proposta cria uma superintendência especial no Cade para mercados digitais.

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad era o principal defensor da medida. Com o calendário eleitoral, a discussão foi adiada, e o tema volta à mesa em um Congresso em que Lula mesmo reconheceu a grande presença de parlamentares de oposição.

IA nacional e data centers entram na agenda econômica

No capítulo econômico, Lula prometeu investimento em economia digital, verde e criativa e disse que vai investir em data centers. O Congresso aprovou recentemente a lei do Redata, que dá incentivos tributários a esse tipo de infraestrutura, mas a norma ainda depende de regulamentação que não foi publicada, segundo o NeoFeed.

O presidente afirmou que não quer ficar dependente de inteligência artificial chinesa e americana e que o Brasil deve criar a sua. Ao lado do ex-ministro da Educação Camilo Santana, defendeu mais ensino de matemática e engenharia. Prometeu ainda universalizar a escola em tempo integral até o ensino médio e estender o Pé de Meia ao ensino médio e às universidades.

Comunicação digital e recado ao empresariado

Lula disse que o governo terá, a partir de 2027, uma política de comunicação digital mais assertiva. Segundo o NeoFeed, ele quer manter o canal de WhatsApp conhecido como Exército do Lula, criado pelo deputado André Janones (Rede-MG).

Ao mesmo tempo, o presidente prometeu governar para todos os brasileiros, inclusive os que não votaram nele, e anunciou reuniões com empresários, educadores, cientistas e mulheres. O NeoFeed registra que o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de bom trânsito entre empresários, é cotado para o Ministério da Fazenda.

O que depende de regulamentação e votos

Na prática, as promessas esbarram em dois pontos concretos. O projeto das big techs precisa avançar no Senado e no restante da tramitação, e o Redata só passa a valer para investidores quando o governo regulamentar a lei. A posse do novo mandato está marcada para 5 de janeiro de 2027, segundo o g1.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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