O deputado federal André Janones (Rede-MG) viajou à Argentina na segunda-feira (2) para repassar à oposição peronista as técnicas de redes sociais usadas na campanha de reeleição de Lula. Segundo o Poder360, ele se encontrou com o ex-ministro da Economia Sergio Massa, o principal opositor do presidente Javier Milei. A Gazeta do Povo informa que a agenda inclui ainda a ex-presidente Cristina Kirchner, que cumpre prisão domiciliar após condenação por corrupção.
Janones é o criador do "Exército do Lula", canal digital que, de acordo com a CNN Brasil, citada pelo Poder360, impulsionou a campanha petista no segundo turno. Lula venceu Flávio Bolsonaro (PL) por 51,78% a 48,22%, uma vantagem de mais de 10,4 milhões de votos. Foi essa estrutura de mobilização que o deputado levou a Buenos Aires.
O que Janones levou a Buenos Aires
Perguntado pela CNN Brasil se Massa queria aprender com a experiência do PT, Janones respondeu que sim e disse que a ideia é levar parte dessas técnicas ao país vizinho. A Gazeta do Povo relata que ele gravou um vídeo convocando militantes a entrar em um canal batizado de "Ejército del peronismo". Na gravação, afirmou que os peronistas podem vencer Milei e a extrema-direita.
Os publicitários Rafael Marroquim e Chico Kertesz, que atuaram na campanha de Lula, participaram do encontro com Massa, segundo a Gazeta do Povo. O jornal argentino La Nación, citado pela reportagem, diz que Marroquim explicou como a campanha petista associou Flávio Bolsonaro à motosserra, símbolo da campanha de Milei, para ampliar o que chamou de "geografia do medo".
A frente anti-Milei e seus limites
De acordo com a equipe de Massa, o objetivo é montar uma grande frente contra Milei, aberta também a forças que não são peronistas. O La Nación descreve o movimento como uma articulação por uma frente nacional antiMilei. Massa foi derrotado por Milei na eleição presidencial de 2023 e é um dos nomes cotados para disputar a próxima, prevista para 2027.
A candidatura do ex-ministro, porém, não está definida. A Gazeta do Povo lembra que ele tem a concorrência do governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof, dentro do próprio campo peronista.
O que fica em aberto para Janones e para o governo
Janones negou que vá integrar o ministério de Lula e afirmou que pretende continuar como deputado federal. As duas reportagens não informam se a viagem tem apoio formal do governo ou do PT, nem se há contrato ou pagamento envolvido na consultoria aos argentinos.
Na prática, o método testado no Brasil passa a ser oferecido a um aliado ideológico com eleição marcada. O resultado dependerá de quem o peronismo escolher como candidato e de a frente ampla sair do papel. Por ora, a única entrega confirmada é a troca de experiência entre a equipe de Lula e a de Massa.



