Joesley Batista, um dos controladores da JBS, reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Salão Oval da Casa Branca em 20 de agosto, segundo reportagem do The Wall Street Journal reproduzida nesta segunda (31) pelo g1 e nesta terça (1º) pela Folha. Pessoas familiarizadas com o encontro disseram ao jornal americano que os dois trataram de como um maior volume de carne bovina do Brasil poderia ajudar a reduzir preços nos EUA se a tarifa de importação de 26% fosse aliviada.
No dia seguinte ao encontro, Trump anunciou nas redes um plano temporário para ampliar a entrada de carne bovina estrangeira. Em 26 de agosto, o governo americano formalizou a medida em proclamação: 300 mil toneladas métricas adicionais de aparas magras entram na cota em três lotes de 100 mil toneladas, com aberturas em 1º de setembro, 1º de outubro e 31 de outubro. A primeira janela começa nesta terça.
O Wall Street Journal afirmou não ter conseguido determinar quem organizou a reunião. A proclamação justifica a cota pela insuficiência da oferta doméstica americana e não cita Joesley Batista nem a JBS. A proximidade das datas, segundo a cobertura brasileira, não prova que o encontro tenha determinado a decisão.
O que a JBS e o governo brasileiro disseram
A JBS afirmou ao Wall Street Journal que tem "um longo histórico de participação no processo cívico e de criação de oportunidades para oferecer alimentos seguros e acessíveis às famílias americanas". A empresa, maior processadora de proteína animal do mundo, tem forte presença nos EUA e listou ações em Nova York em 2025.
No mesmo 21 de agosto, o governo brasileiro informou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou cerca de 80 minutos por telefone com Trump sobre tarifas, crime organizado e conflitos internacionais. O Brasil enviou cerca de US$ 1,5 bilhão em carne bovina aos EUA no primeiro semestre de 2026, alta de 10% na comparação anual, segundo dados do Departamento de Agricultura dos EUA citados pelo g1 e pela Folha.
Reação nos EUA e investigação antitruste
Pecuaristas americanos e parlamentares republicanos criticaram a abertura. A National Cattlemen's Beef Association disse que a intervenção prejudica produtores. O Wall Street Journal também lembrou que o Departamento de Justiça dos EUA investiga as quatro maiores processadoras de carne do país, entre elas a JBS, por práticas anticompetitivas. As companhias negam irregularidade.



