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Lagarde deixa o BCE em 7 de fevereiro, 20 meses antes do fim do mandato, e abre disputa por sucessor

A presidente do Banco Central Europeu anunciou nesta quinta-feira (29) que sai em 7 de fevereiro, embora o mandato fosse até outubro de 2027. Os mercados reagiram pouco, e o BCE segue com juros de 2,5% e possível alta em dezembro.

Sede do Banco Central Europeu em Frankfurt, na Alemanha
Christine Lagarde, de 70 anos, anunciou nesta quinta-feira (29) que deixa a presidência do BCE em 7 de fevereiro. Foto: Europäische Kommission - Audiovisueller Dienst, Claudio Cent / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, renunciou nesta quinta-feira (29) e deixará o cargo em 7 de fevereiro, segundo a Reuters, em texto reproduzido pela Agência Brasil. O mandato dela iria até o fim de outubro de 2027, o que antecipa a saída em cerca de 20 meses.

A data tem um motivo político declarado nos bastidores. A antecipação dá aos líderes da União Europeia tempo para escolher o sucessor antes da eleição presidencial francesa, na qual as pesquisas apontam a candidata de extrema direita Marine Le Pen como favorita.

Por que ela sai agora

Uma fonte ouvida pela Reuters afirmou que Lagarde decidiu renunciar para poder se posicionar sobre questões políticas na França e no mundo. Espera-se que o presidente do BCE se mantenha neutro, como forma de proteger a independência da instituição.

Lagarde, que tem 70 anos, disse que não será candidata à Presidência da França. Afirmou, porém, que defenderá valores pró-europeus em seu país na função que considerar mais eficaz. Em vídeo curto divulgado nas redes sociais, disse deixar o banco com a sensação de um bom trabalho realizado e de uma instituição preparada para o futuro. O Fórum Econômico Mundial era visto como destino provável, mas recusou-se a comentar.

Quem pode assumir o comando

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, disse que o processo de escolha do sucessor começa imediatamente. Os favoritos, de acordo com a Reuters, são Klaas Knot, ex-presidente do banco central holandês, e Pablo Hernández de Cos, ex-presidente do banco central espanhol.

A nomeação pode entrar em um pacote maior de cargos. Isabel Schnabel deve deixar a diretoria em janeiro, e o economista-chefe Philip Lane, em maio.

O deputado alemão Markus Ferber, do Partido Popular Europeu, disse que a saída envia um sinal errado. Segundo ele, se a renúncia parecer calculada para coincidir com as eleições, a confiança no BCE será prejudicada. Ferber integra a comissão do Parlamento Europeu que confirmará o sucessor. Já Marcel Fratzscher, presidente do instituto alemão DIW, afirmou que Lagarde mostrou forte senso de responsabilidade com a Europa e que os governos agora podem escolher alguém que proteja a independência do banco.

O que muda para juros e mercados

A reação nos mercados foi pequena. Piet Haines Christiansen, do Danske Bank, disse que os nomes cogitados são banqueiros centrais competentes e que a diferença será pouca. Simon Dangoor, do Goldman Sachs, avaliou que o comportamento institucional do BCE deve persistir depois de Lagarde.

A política monetária segue em curso. O BCE está em um ciclo de alta de juros para conter a inflação, pressionada pelo choque nos preços do petróleo ligado à guerra no Irã. A expectativa era de que a taxa de depósito fosse mantida em 2,5% nesta quinta, com sinal de nova alta possivelmente em dezembro. Oliver Rakau, da Oxford Economics, considera provável esse aumento, por causa de uma possível revisão para cima da previsão de inflação.

Os mercados monetários já precificam três novas altas até o fim do próximo ano, o que levaria a taxa a 3,25%. Os juros dos títulos públicos subiram, principalmente na França, o que encarece o financiamento do governo e, segundo Lagarde, deve frear crescimento e inflação.

Quem sente a troca fora da Europa

Para o Brasil, o efeito direto é indireto. Juros mais altos na zona do euro e um sucessor ainda indefinido a partir de fevereiro influenciam o apetite global por risco e o dólar, variáveis que pesam no câmbio e nos fluxos para mercados emergentes. A Reuters não aponta mudança de rumo do BCE no curto prazo, e o próximo dado a observar é a decisão de dezembro, já sob a transição.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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