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Trump evita apoiar Flávio como presidente e repete que eleição no Brasil foi 'estranha'

Horas depois de o senador se declarar 'verdadeiro presidente eleito' em carta enviada de Miami, Trump confirmou ter autorizado a entrada dele nos EUA, mas disse que não vai se envolver na disputa sobre o resultado da eleição brasileira.

Donald Trump em pronunciamento à imprensa
Trump disse a jornalistas que não vai 'se envolver' após Flávio Bolsonaro se declarar 'verdadeiro presidente eleito' do Brasil. Foto: Gage Skidmore from Surprise, AZ, United States of America / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O presidente americano, Donald Trump, afirmou nesta quarta-feira (28) que não vai 'se envolver' na disputa sobre o resultado da eleição presidencial brasileira. A declaração veio horas depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) se autodenominar 'verdadeiro presidente eleito' do Brasil em carta divulgada de Miami, segundo apuraram a Agência Brasil, que registrou a resposta de Trump a jornalistas, e o Poder360.

O senador deixou o país um dia depois de a Polícia Federal intimá-lo a entregar os passaportes comum e diplomático, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que já havia proibido sua saída do Brasil. Na noite de terça-feira (27), Flávio cruzou a fronteira com a Argentina, embarcou em um avião particular em Puerto Iguaçu, fez escala no Equador e chegou a Miami na quarta, segundo apurou o Poder360.

O pedido que a própria campanha de Flávio fez

Na carta, o senador atribuiu a derrota a uma fraude no segundo turno e mencionou a prorrogação do horário de votação, de 17h para 19h, decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do STF, após relatos de chuva e falhas no transporte público em cidades da Bahia e de São Paulo. O Poder360 apurou, porém, que a própria campanha de Flávio havia solicitado a extensão em municípios de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, o que contradiz o argumento de fraude construído sobre esse ponto.

De acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, citado por veículos como o BemParaná, menos de 0,03% do total de votos do segundo turno foi registrado após as 17h de domingo (25), volume insuficiente para mudar o resultado da eleição.

A versão original da carta, publicada nas redes sociais do senador, afirmava que ele era o 'verdadeiro presidente eleito' do país. Meia hora depois, Flávio apagou a publicação e substituiu o trecho por 'líder do Brasil', mantendo o restante do texto, incluindo a suposta fraude e os agradecimentos a líderes internacionais, entre eles Trump e o presidente da Argentina, Javier Milei.

O que Trump disse e o que evitou dizer

Questionado por jornalistas sobre a declaração de Flávio, Trump evitou validar a tese do senador, mas confirmou ter autorizado a entrada dele em território americano.

Na sequência, Trump voltou a questionar a legitimidade do processo eleitoral brasileiro, sem apresentar provas, repetindo um argumento que já havia usado antes da divulgação do resultado do segundo turno.

Os passaportes que Flávio não entregou

A saída do país descumpriu diretamente a ordem de Moraes, que havia determinado a entrega dos documentos antes mesmo da intimação formal pela Polícia Federal. O episódio deixa o senador fora do alcance imediato da Justiça brasileira enquanto tramitam os processos sobre a contestação do resultado da eleição, vencida por Lula (PT) no domingo. A recusa de Trump em chamá-lo de presidente também isola Flávio entre aliados internacionais, no momento em que ele tenta transformar a derrota em discurso de resistência a partir dos Estados Unidos.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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