O ministro Alexandre de Moraes, do STF, afirmou na noite de segunda-feira (14) que o relatório da Polícia Federal apresentado pelo ministro André Mendonça e marcado para análise no plenário desta terça (15) não traz "qualquer indício para apuração de prática de infração penal". Em resposta de 44 páginas e 121 tópicos enviada ao presidente da corte, Edson Fachin, Moraes chamou o documento de "farsa" e disse haver "motivação político-eleitoral dessas criminosas mentiras".
"VINGANÇA. Está muito clara a tentativa de vingança dos aliados daqueles que tentaram acabar com a Democracia e o Estado de Direito e foram condenados pelo SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL", escreveu. Moraes foi relator das investigações da trama golpista que condenaram Jair Bolsonaro (PL). Mendonça foi indicado ao STF por Bolsonaro.
Diálogos, bloco de notas e contrato do escritório
O relatório da PF aponta mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a um contato identificado como Moraes, inclusive perguntas sobre deixar o país dois dias antes da prisão na Operação Compliance, em novembro de 2025. Moraes disse que não existe diálogo porque "não há uma única mensagem ou bloco de notas com o texto de mensagens" dele, e classificou as conversas como "diálogos fantasiosos".
Sobre o contrato de cerca de R$ 131 milhões entre o Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, o ministro afirmou que jamais julgou processo envolvendo o banco ou Vorcaro e que o escritório nunca atuou em causa do Master no STF. A banca confirmou intervenções dele "na condição de marido da sócia" a pedido do compliance, para checar impedimentos legais.
Sessão inédita nesta terça
A sessão desta terça, sob relatoria de Fachin, analisa se há base para abrir investigação contra Moraes, algo inédito na história da corte. A PGR já pediu a nulidade do relatório. Moraes sustenta que a Operação Compliance foi exitosa, com prisão e apreensão do celular, e que 7.742 documentos da Operação Compliance não apontam ciência prévia nem vazamento de sua parte.



