terça-feira, 15 de setembro de 2026 · Edição diária

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Nunes Marques se declara impedido no STF após R$ 500 mil ao filho

Presidente do TSE deixa sessão sobre Moraes e Vorcaro. Diálogos no celular do banqueiro citam R$ 500 mil por mês ao advogado Kevin Marques.

Kassio Nunes Marques, ministro do STF e presidente do TSE
Nunes Marques se declara impedido na sessão sobre Moraes e Vorcaro e deixa o plenário. Foto: TSE - Tribunal Superior Eleitoral / Wikimedia Commons (Public domain)

O ministro Kassio Nunes Marques se declarou impedido nesta terça-feira (15) e deixou a sessão do Supremo Tribunal Federal que analisa o relatório da Polícia Federal sobre mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O motivo oficial: como presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ele não se sente confortável em votar a 19 dias das eleições de 2026.

"Na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar deste julgamento e afirmo o meu impedimento", disse Nunes Marques após o relatório de Edson Fachin. Segundo ele, o TSE se manteve equidistante no processo eleitoral e o julgamento no STF "pode impactar o cenário político-eleitoral".

Mensagens de R$ 500 mil e a negativa no plenário

Horas antes e durante a sessão, diálogos extraídos do celular de Vorcaro passaram a citar o advogado Kevin Marques, filho do ministro. Em uma troca, o ex-diretor jurídico do Banco Master, Luiz Rennó, responde a Vorcaro com dados de Kevin e a menção a "R$ 500 mil por mês". Outra mensagem de agosto de 2025 fala em pagamento em atraso à "consult".

No plenário, Nunes Marques negou irregularidade. Afirmou que nunca julgou processo do Master, que nunca trocou mensagem com Vorcaro e que o filho "nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco", apontando quebra de sigilo bancário. A defesa de Kevin disse que ele recebeu R$ 281,6 mil da Consult Inteligência Tributária por serviço tributário administrativo, sem vínculo com o STF nem com o Master.

O que muda no tabuleiro

O impedimento tira um voto do campo que poderia pressionar a abertura de investigação contra Moraes e se soma à suspeição anunciada por Dias Toffoli na mesma sessão. A Corte segue sob tensão: a PGR pede anular o relatório da PF, Mendonça e Moraes travam briga pública, e o plenário ainda precisa decidir se há base para investigar um ministro da própria casa. Nunes Marques saiu do plenário depois do anúncio; a sessão continua sem ele.

MB

Repórter de Política e Economia do Real Nacional. Cobre Brasília, Congresso, tribunais, contas públicas e as eleições de 2026. Mais textos · Expediente · Política editorial

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