O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao NeoFeed que a instabilidade institucional no Supremo Tribunal Federal atrapalha a economia e a credibilidade do investidor estrangeiro. A fala veio na segunda-feira (14), em meio à crise aberta pelas mensagens entre Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
"Esse tipo de instabilidade é muito ruim. Tenho que reconhecer isso. Atrapalha a economia, atrapalha a credibilidade de investidor estrangeiro, porque volta a ter assim uma certa imprevisibilidade de como as coisas vão seguir. Atrapalha muito", disse Durigan.
Transparência e ninguém acima da lei
O ministro cobrou do STF mais credibilidade e abertura de processos "sem escolhas seletivas do que está sendo vazado". Recorreu à linha de Lula de não interferir em investigações que atinjam aliados e estendeu o princípio: "Isso vale para qualquer ministro do Supremo. Isso vale para qualquer ministro de tribunal superior." Em suas palavras, ninguém está acima da lei.
Arcabouço, juros e regra fiscal
No mesmo dia, em seminário da Esfera, Durigan reforçou ao Estadão/Broadcast que o país "está cansado de troca de regras fiscais" e que o arcabouço precisa ser aperfeiçoado, não substituído a cada ciclo. Ligou a queda dos juros a estabilidade institucional, revisão de gastos obrigatórios e previsibilidade fiscal. O Orçamento de 2027, segundo ele, prevê o primeiro superávit primário de uma sequência.
O que muda no tabuleiro
A declaração do titular da Fazenda desloca a crise do STF do campo só jurídico para o preço da incerteza: câmbio, risco-país e apetite de capital externo. Durigan também rebateu o que chamou de "preconceito fiscal" do mercado com o governo Lula e antecipou novas revisões de benefícios tributários e programas sociais se houver quarto mandato. A sessão do STF sobre o relatório da PF no caso Master corre nesta terça (15); o ministro não julga o mérito, mas marca o custo econômico da briga na Corte.



