As ações da Oracle subiram 12% nesta quarta-feira (28), segundo a Folha, depois que a empresa apresentou a investidores, durante a conferência Oracle AI World, novas metas de longo prazo para tentar reduzir as preocupações do mercado com a aposta bilionária em inteligência artificial. O fechamento oficial na Nasdaq registrou alta de 10,73%, para US$ 144,54, de acordo com o portal financeiro The Motley Fool.
O movimento interrompe uma sequência de perdas. As ações da Oracle haviam caído cerca de 50% nos 12 meses anteriores, pressionadas pelo volume de dívida contraído para financiar data centers de IA e por um corte na nota de crédito da empresa, hoje em BBB-, um nível acima do considerado especulativo.
A meta de US$ 225 bilhões até 2030
No encontro com investidores, a Oracle fixou a meta de faturar ao menos US$ 225 bilhões no ano fiscal de 2030, o que representaria um crescimento médio superior a 35% ao ano a partir da receita de US$ 67,4 bilhões registrada no ano fiscal de 2026. Para o ano fiscal de 2027, a meta é de pelo menos US$ 90 bilhões, depois de a empresa reportar US$ 19,3 bilhões de receita no trimestre encerrado em agosto, alta de 30% em relação ao mesmo período do ano anterior. A companhia também projetou margem operacional ajustada acima de 40% e lucro por ação ajustado de ao menos US$ 21.
O fim do rombo de caixa
A Oracle queimou US$ 23,7 bilhões em caixa no ano fiscal de 2026 para sustentar os investimentos em infraestrutura de nuvem e inteligência artificial. A empresa disse que o fluxo de caixa livre deve voltar a ficar positivo na segunda metade do ano fiscal de 2028 e projetou pelo menos US$ 30 bilhões de geração de caixa até o ano fiscal de 2029.
Parte da estratégia para reduzir a necessidade de caixa imediato passa por financiamento de fornecedores, hardware fornecido pelos próprios clientes e pagamentos antecipados. As obrigações de performance remanescentes da Oracle, que somam contratos ainda não reconhecidos como receita, chegaram a US$ 638 bilhões, alta de 363% em um ano. Desse total, US$ 75 bilhões vêm de contratos de IA em que o cliente pagou adiantado por GPUs ou forneceu o próprio hardware à Oracle.
Quem paga a conta da dívida
A Oracle levantou US$ 43 bilhões em dívida e US$ 5 bilhões em ações no ano fiscal de 2026. Para o ano fiscal de 2027, a previsão é captar outros US$ 40 bilhões, somando dívida e ações, incluindo uma emissão de até US$ 20 bilhões no mercado por meio de oferta contínua de ações.
A empresa se comprometeu a limitar novas captações até o ano fiscal de 2030 a US$ 20 bilhões, divididos igualmente entre dívida e ações, sem contar eventual refinanciamento de dívida já existente. A meta é que a relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado fique abaixo de 3,5 vezes até o ano fiscal de 2029 e que o crescimento passe a se autofinanciar a partir desse período.
Para quem acompanha o setor de tecnologia no Brasil, o caso da Oracle se soma a uma série de operações recentes em que fornecedores de infraestrutura de IA buscam capital fora do balanço tradicional para sustentar a corrida por data centers, como fizeram CoreWeave e Anthropic em acordos com bancos e gestoras neste ano. O teste agora é se a Oracle consegue cumprir o cronograma de caixa positivo sem precisar de uma nova rodada de dívida antes de 2029.



