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Apagar chat de IA no Android não limpa a memória: ferramenta do Georgia Tech recupera 26 de 100 fatos

Pesquisadores do Georgia Tech mostram que fragmentos de chats excluídos continuam na RAM de celulares Android: a ferramenta ORISA reconstituiu 26 de 100 fatos de um teste, 12 a mais do que o modelo conseguia acessar.

Pessoa usando assistente de inteligência artificial em um celular Android
Pesquisa do Georgia Tech mostra que chats apagados de IA local podem deixar rastros na memória de trabalho do celular. Foto: Pexels / Solen Feyissa

Pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Geórgia (Georgia Tech), nos Estados Unidos, desenvolveram uma ferramenta chamada ORISA que recupera conversas excluídas de assistentes de IA executados localmente em celulares Android, segundo o Canaltech nesta terça-feira (27). O trabalho foi apresentado no IEEE Symposium on Security and Privacy 2026, sob o título "Recovering and Rehosting Mobile Local LLM Conversations and Contexts via Memory Forensics".

A explicação técnica está na memória de trabalho do aparelho. De acordo com a reportagem, apagar um bate-papo pela interface do aplicativo não remove de imediato todos os dados guardados na RAM do celular. A ORISA localiza esses fragmentos, reconstrói o contexto da conversa e monta uma nova sessão funcional do chatbot.

O teste que gerou os números

O estudo foi conduzido no Cyber Forensics Innovation Lab, do Georgia Tech, e liderado pelo doutorando Ken Xu. Assinam também David Oygenblik, Runze Zhang e Mingxuan Yao (doutorandos), Muhammad Ibrahim (cientista de pesquisa) e Brendan Saltaformaggio (professor associado).

Para medir o alcance da técnica, a equipe criou um assistente fictício, o "Project Note Keeper", dentro do aplicativo de código aberto ChatterUI. Ele recebeu 100 fatos inventados, e só depois a conversa foi apagada. Naquele momento, por causa do limite de memória do modelo, apenas 14 fatos estavam ao alcance ativo da IA.

A ORISA recuperou 26 fatos armazenados no aparelho e criou uma sessão capaz de responder perguntas sobre o projeto. Ou seja, a ferramenta chegou a informações que já haviam saído da janela de contexto do modelo. A validação cobriu 60 configurações de teste, 10 aplicativos Android e três modelos de IA.

O que limita o risco no dia a dia

A própria reportagem faz a ressalva: a recuperação exige acesso forense à memória e ao armazenamento do dispositivo, algo que uma pessoa comum não consegue fazer com facilidade. A tarefa também fica mais difícil conforme outras atividades do sistema sobrescrevem os dados antigos. A ORISA é uma ferramenta de investigação forense, não um aplicativo comercial para restaurar conversas.

Outro limite é o escopo. Os pesquisadores não testaram se chatbots em nuvem poderiam ser recuperados com técnicas parecidas. O estudo trata de IA local, que roda no próprio celular e é frequentemente apresentada como mais privada justamente por não enviar dados a servidores. Entre os exemplos de aplicativos com processamento local citados pelo Canaltech está o Google AI Edge Gallery.

Quem precisa prestar atenção

A reportagem não traz recomendações explícitas dos autores. A conclusão que ela apresenta é que excluir uma conversa não garante o desaparecimento imediato de todo vestígio, mesmo quando o assistente funciona sem nuvem. Para peritos, o resultado abre uma nova fonte de evidência em investigações com celulares apreendidos. Para quem trata dados sensíveis em IA local, como anotações de trabalho ou informações de clientes, o estudo indica que o botão de apagar do aplicativo não encerra o ciclo de vida desses dados no aparelho.

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Repórter de Tecnologia e Inteligência Artificial do Real Nacional. Cobre inteligência artificial, infraestrutura digital, regulação de tecnologia e as empresas que constroem a IA no Brasil. Mais textos · Expediente · Política editorial

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